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January 25 A MULHER SIRO-FENÍCIA MC 7:24-30MIGALHAS *Pr. Edivaldo Rocha
“24Jesus saiu dali e foi para a região que fica perto da cidade de Tiro. Ele entrou numa casa e não queria que soubessem que estava ali, mas não pôde se esconder. 25Certa mulher, que tinha uma filha que estava dominada por um espírito mau, ouviu falar a respeito de Jesus. Ela veio e se ajoelhou aos pés dele. 26Era estrangeira, de nacionalidade siro-fenícia, e pediu que Jesus expulsasse da sua filha o demônio. 27Mas Jesus lhe disse: – Deixe que os filhos comam primeiro. Não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo para os cachorros. 28– Mas, senhor, – respondeu a mulher – até mesmo os cachorrinhos que ficam debaixo da mesa comem as migalhas de pão que as crianças deixam cair. 29Jesus disse: – Por causa dessa resposta você pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha. 30Quando a mulher voltou para casa, encontrou a criança deitada na cama; de fato, o demônio tinha saído dela” (Mc 7:24-30).
Houve dias no ministério de Jesus em ele sentiu o peso de sua natureza humana. Não me refiro ao peso do pecado, mas ao peso do cansaço por empreender um esforço sobremaneira para ensinar, para debater religião com os fariseus e saduceus, curar os enfermos, expulsar demônios, orientar os discípulos, etc. A rotina ministerial de Jesus exigia muito esforço físico e mental. O verso 24 mostra que Jesus, frustradamente, tenta se refugiar em uma casa a fim de descansar um pouco. Não foi a primeira vez que fato como esse aconteceu. Jesus até dormiu em barcos, porque em terra firme ninguém permitia que ele descansasse. A passagem mostra que o descanso de Jesus foi interrompido por uma mulher que tinha um problema sério. Ela tinha uma filha possessa de demônio. Jesus estava no extremo norte de Israel quase na divisa com o Líbano. Talvez ele imaginasse que em uma região tão distante de Jerusalém as pessoas não o procurassem tanto. Mas quem tem um filho ou qualquer outro parente doente dentro de casa não tem pudores para incomodar um vizinho no meio da madrugada para pedir que socorra seu parente até um hospital próximo. Aquela mulher não conhecia a Jesus pessoalmente. Talvez ela só tenha ouvido falar histórias distorcidas acerca dos seus feitos. Mas mesmo assim ela foi até o mestre para pedir por sua filha. Os sete versos desta passagem bíblica demonstram que essa mulher estava aflita, porém confiante que Jesus salvaria a sua filha. É percebido o tamanho de sua aflição no verso 27, onde Jesus diz que sua missão primaria era para com os judeus e só depois que os judeus estivessem satisfeitos é que seu ministério se estenderia aos gentios. Nesse verso Jesus chama de “cachorrinhos” aqueles que não são judeus. A palavra em grego é kunariois (kunariois) que quer dizer cachorro pequeno, de colo. Porém algo que poderia parecer ofensivo não inibiu aquela mulher de suplicar por migalhas. Eu li um comentário na Bíblia de estudo Shedd (também disponível na Bíblia Vida Nova) acerca do mesmo fato, só que em Mateus 15:26 (que trata a mesma narrativa), que embora fosse severa a comparação que Jesus fez, é certo que havia algo no tom de sua voz, ou quem sabe um ar de riso amistoso no seu rosto que “encorajou a mulher a dar uma resposta cheia de fé, esperança e coragem”. Então essa mulher aceita o trocadilho de palavras, de certa forma preconceituoso, e concordando com ele se humilha mais ainda e diz que só quer as migalhas que caírem da mesa. Ela não disse que iria esperar que alguma criança jogasse algo bom para ela. Ela disse que se contentaria com migalhas que caem dos pratos descuidadamente. Ela não pediu as sobras. Ela pediu aquilo que ninguém fosse dar falta. A resposta daquela mulher garantiu a cura de sua filha. Não importava que fossem apenas migalhas do poder do Senhor, ela sabia que era suficiente para salvar a sua filha da mão do inimigo. Essa é uma passagem belíssima que fala de cura. Mas fala também de alimento espiritual. O verso 27 de Marcos 7 fala que naquele momento do ministério de Jesus as ações estavam voltadas para os judeus. E é fato que o evangelho veio primeiro para os judeus: Jo 1:11 diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Os judeus rejeitaram o evangelho de Jesus Cristo. E o Senhor já sabia que isso iria acontecer? Sim. Mas era necessário que o evangelho fosse pregado a eles para que depois eles não dissessem que não conheciam a mensagem da salvação. Jesus conta uma parábola em que certo homem preparou um grande banquete e disse a seu servo que convidasse as pessoas mais importantes que conhecia. Na hora da ceia, ninguém apareceu, pois cada um havia dado uma desculpa esfarrapada para não comparecer. Então o dono da casa disse ao servo “Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. 22Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. 23Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa” (Lc 14:15-24 [destaque v. 21-23]). O evangelho do Senhor é como um grande banquete no qual chegamos e nos fartamos das melhores iguarias que Deus preparou. No dia em que aquela mulher siro-fenícia procurou o socorro do mestre, Jesus disse que os melhores lugares estavam preparados para a nação eleita, Israel, e que não havia chegado ainda o momento dos gentios (ou não-judeus) desfrutarem da plenitude do poder do evangelho do Senhor. Os judeus ouviram, muitos creram outros deram as costas para as verdades de Deus e o evangelho cresceu e se expandiu até os gentios, ou seja, até a mim e a você. Não é de hoje que Deus tem nos chamado para nos sentarmos à mesa para cearmos como filhos. Aquele momento em que os não-judeus só aproveitavam as migalhas já passou. Deus nos chama para grandes celebrações do seu poder em nossas vidas. O seu evangelho está disponível 100% a todo àquele que crer. Mas não são poucos que entram por essas portas para ficar debaixo da mesa para comer migalhas. Hoje há crentes que parecem que têm medo de se revestir por completo do que Deus tem para oferecer. Meu irmão, minha irmã, Deus não te chamou para comer migalhas debaixo da mesa. Deus te chamou para que você se assentasse nos melhores lugares. Deus te chamou para um envolvimento pleno e não para algo casual e superficial. Chegue à casa do Senhor para renovar as forças! Não se contente com a carga mínima; com a baixa tensão; com o tanque na reserva; com a mornura. Chega de só ouvir os outros falarem de Deus! Sinta esse Deus correndo em suas veias; permita que fluam rios de águas vivas de dentro do seu ser; deixe que a chama do Espírito aqueça sua alma à altas temperaturas. Hoje é dia de avivamento. Hoje é um dia santo. É dia em que o Senhor quer transformar o seu povo. Hoje é dia de renovo. Então saia debaixo da mesa, largue essas migalhas que você tem levado pra casa e sente-se na mesa do banquete de Deus e viva o evangelho em sua plenitude. Pare de se esconder atrás de conversas alheias durante os cultos, se concentre no que Deus está te falando através da mensagem, da Bíblia, dos cânticos, das ministrações. Pare de dizer para você, para os outros e para Deus que não quer responsabilidades dentro da casa do Senhor, assuma um compromisso! Dedique-se à oração, a leitura da palavra, ao serviço cristão e sinta o melhor de Deus em sua vida. Amém! December 10 DIA DA BÍBLIA 2009Desperta Tu que Dormes! Quando quero acordar mais cedo que o meu horário habitual, costumo programar o despertador para a hora desejada. Mas há um segredo para que eu não passe da hora programada: o despertador não pode ficar no quarto. O meu despertador fica na sala e quando dispara me levanto, vou até a sala e o desligo, então começo os preparativos para os quais me planejei. Alguém pode me perguntar, por que o despertador não fica no quarto como o da maioria das pessoas? Por incrível que pareça, há uma lógica nessa ação. Eu percebi que sempre que o meu despertador estava no quarto eu o desligava e voltava para cama, com isso perdia a hora. O fato de deixar na sala evita que eu volte a dormir após desligá-lo. Pode parecer estranho, mas comigo funciona. Contei esse detalhe pessoal para dizer que a Bíblia também é uma espécie de despertador, não daqueles que nos acordam do sono propriamente dito, mas de um sono moral e espiritual. Não é de hoje que percebemos que a moralidade da sociedade está em estado crítico. A consciência do que é certo ou errado parece não mais fazer parte das decisões cotidianas. A espiritualidade, por sua vez, está cada vez mais superficial e sincretista. A fé abriu espaço para a crendice e superstições e infelizmente o povo de Deus, a Igreja de Jesus, muitas vezes se deixa levar por desvios morais e um descompromisso tal, que gera uma espécie de sonolência espiritual. A Bíblia está a todo o momento nos alertando para tais coisas, porém não são poucos que preferem desligar o alerta bíblico e continuam dormindo. Isso acontece porque esse despertador espiritual, a Bíblia, não está no lugar adequado na vida dessas pessoas. Ou seja, em uma posição que os acorde do sono espiritual e os faça agir em conformidade com os desígnios de Deus. Se você é um desses que está dormindo, reveja a posição da Bíblia em sua vida e desperte para Cristo Jesus. Pr. Edivaldo Rocha 06/12/09 RESGATANDO A GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS At 3:6-8RESGATANDO A GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS *Pr. Edivaldo Rocha
Dias atrás ouvi um pastor pregar sobre amor e perdão. Com base na oração modelo de Jesus, ele colocava que se falta perdão e amor na vida do crente esse crente não caminha em acordo com a palavra de Deus. No decorrer daquela mensagem meditei acerca do que essas representam no meio cristão, principalmente em tempos em que vemos que a mensagem da igreja tem tomado rumos que não combinam com as Escrituras Sagradas. Frequentemente escutamos que o teor das mensagens evangélicas se resume na seguinte pergunta: vocês querem ser perdoados ou querem ficar ricos? Infelizmente muitas pessoas que ouvem mensagens com essa ênfase preferem a ilusão de ficarem ricas a serem perdoadas por Jesus. E por crescer a popularidade desse tipo de mensagem, as palavras como amor e perdão soam estranhas aos ouvidos dos ouvintes nos dias atuais. Há pouco tempo cantavam uma música em que seu refrão dizia “pregador de rosas, pregue os espinhos também”, advogando a ideia que os pregadores não deveriam somente falar de amor para agradar o seu público, mas deveriam mencionar “os espinhos”. Contudo, hoje, não são as mensagens de espinhos que incomodam as pessoas, mas justamente as mensagens de rosas. Ou seja, as mensagens que falam de amor e perdão são as que mais incomodam os ouvintes do Evangelho, porque pressupõem mudanças radicais na vida do crente. Ao analisar essas coisas nos perguntamos o que aconteceu, ou que está acontecendo com a Igreja cristã? Depois de pensar sobre o assunto, cheguei à conclusão que a igreja aos poucos está perdendo a noção da graça de Deus. Em tempos em que as pessoas são incentivadas a barganhar com Deus, a noção de graça, que é favor imerecido, fica esquecida. Pastor, o que é graça? Alguém poderia perguntar. Então eu responderia com o seguinte relato de um padre, hoje aposentado, mas que aos vinte e dois anos de idade recebeu a responsabilidade de administrar um orfanato com mais de 170 crianças de 0 a 18 anos. Em um determinado dia esse jovem padre recebe a preocupante notícia que naquele dia só haveria comida para as crianças até os dois anos de idade e que os demais ficariam sem comer. Chateado por ficar sabendo desse fato somente naquele instante, ele resolve sair para pedir esmolas, a fim de alimentar as crianças. Ao lado do orfanato havia uma capela, na qual o padre entrou para dizer a Deus as seguintes palavras: “hoje estou saindo para pedir esmolas para que essas crianças tenham o que comer. Nas tuas mãos entrego esse problema e espero que tu o resolvas”. Ao sair da capela o padre soube que uma senhora, dona de um mercado, procurava o responsável pelo orfanato. Aquela senhora disse que havia recebido uma bênção de Deus e gostaria de agradecer doando alimentos para o orfanato. O padre agradeceu e disse que a oferta veio em boa hora, pois as crianças não teriam o que comer naquele dia. A senhora compadecida com essa situação se comprometeu em ajudar sempre que eles precisassem. Até hoje, os filhos daquela senhora, já falecida, eu creio, ajudam periodicamente o orfanato. Isso é graça de Deus! É o socorro de Deus, independente de quem peça. Muitos pensam erroneamente que Deus só atende a oração dos crentes. Mas a graça de Deus não vê limites denominacionais, religiosos ou morais. A graça de Deus atinge a todos indiscriminadamente. Porque graça é um benefício imerecido. A Bíblia também nos mostra várias passagens que falam da graça divina. Dentre esses muitos relatos me permitam destacar os versos seis, sete e oito do terceiro capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos, que diz: “Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! 7E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram; 8de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus.”
Em dias em que as pessoas repetem os jargões “Deus é o Deus do ouro e da prata”, “eu sou filho (a) do Rei”, “meu pai é dono de tudo”, vemos homens cheios do poder dizerem: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” Pedro e João eram canais da graça de Deus. Mesmo que a expectativa do deficiente fosse outra, Deus queria lhe mostra algo bem maior. Deus queria lhe mostra a sua graça. O verso sete mostra que os discípulos ajudaram o deficiente a se colocar em pé e o verso oito descreve que ele de um salto se pôs em pé, passando a andar e entrou no templo louvando a Deus. Esses versos descrevem duas coisas importantes para a igreja. A primeira é a de ajudar as pessoas a desfrutarem da graça de Deus. Além de oferecer a graça, precisamos dar condições para ela seja apreciada. Às vezes a igreja precisa ir até essas pessoas e dar a mão para que elas sintam a graça divina. A segunda, diz respeito a deixar que a pessoa agraciada ande com suas próprias pernas e assim, de livre e espontânea vontade glorifique a Deus. A igreja do século XXI precisa urgentemente resgatar a verdadeira noção do que vem a ser a graça de Deus, porque a partir dela é que se derivam todos os atributos cristãos que identificam a igreja como Igreja. POETAS E CRIANÇAS DIANTE DA BÍBLIA Mt 6:2-34POETAS E CRIANÇAS DIANTE DA BÍBLIA *Pr. Edivaldo Rocha “Ela entrou, deitou-se no divã e disse: ‘Acho que estou ficando louca’. Fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. ‘Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões — é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto’. Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a ‘Ode à Cebola’ e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas” (A complicada arte de ver de Rubem Alves)... Diante de uma caixa de utensílios domésticos um adulto contempla uma caixa de ferramentas e uma criança, uma caixa de brinquedos. Tudo é uma questão de ótica. A frase final da mensagem do segundo domingo deste mês causou algo bem peculiar: ao proferir a frase que também é uma pergunta “o que você enxerga quando lê a Bíblia”? percebi que a igreja foi tomada por alguns segundos de silêncio absoluto. Essa com certeza é uma frase inquietante. Talvez a primeira reação que pudéssemos sentir fosse a de raiva do pastor por ter dito algo desse tipo. Mas passada essa emoção acredito que vocês chegaram a concordar comigo acerca do que foi perguntado. A nossa compreensão de Deus sofrerá sérias variações, boas e ruins, baseadas na forma que o enxergamos na Bíblia. Há uns dias retornei a uma passagem Bíblica que sempre me causara a impressão que algo não encaixava. Mesmo já tendo pregado várias vezes sobre essa passagem sempre tive a impressão que faltava algum detalhe que não tinha percebido. Então acompanhem comigo a passagem de Mt 6:2-34: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? 26Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? 28E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 34Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal”. Sempre que essa passagem é lida ela recebe uma entonação como se Jesus estivesse repreendendo seus discípulos. É bem verdade que se fizessem estudos para constatar o perfil psicológico de Jesus a partir da leitura feita pela igreja cristã ao longo dos séculos, seria constatado um Jesus neurótico e perseguidor, ou no mínimo um indivíduo amargurado. Parece que para a igreja Jesus está o tempo todo dando “paulada” nos seus ouvintes. Esse trecho de Mateus 6:26-34 é um perfeito exemplo disso. Quantas vezes eu mesmo não levantei o dedo e gritei “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus”, quando na realidade parece que Jesus não fez nada disso. Digo isso porque ao contemplar as comparações que Jesus faz com as aves do céu e com os lírios dos campos vi outra face de Jesus muitas vezes escondida pela leitura que fazemos da sua mensagem. Precisamos lembrar onde Jesus estava e com quem ele estava para entendermos algumas coisas. Ele estava em um monte cercado por pessoas que queriam de coração segui-lo por acreditarem que ele realmente era o filho de Deus. No meio dessas pessoas estavam pais e mães de famílias, estavam moças virgens esperando seus noivos e seus casamentos; estavam pessoas que trabalhavam muito para sustentarem suas famílias. Jesus naquele momento chama aquelas pessoas para deixarem tudo que tinham para segui-lo. É natural imaginar que um pai de família pensasse, “como darei de comer a minha esposa e meus filhos”? De que vou viver se seguir este homem? Mas ao mesmo tempo o coração deles ardia por acreditarem fielmente que Jesus era o Messias. Eu vejo Jesus olhando para aquelas pessoas e percebendo a aflição e temor em seus olhos. E como um pai conforta o filho que está apavorado, ele aponta para as aves do céu e diz mansamente: “estais vendo aquelas aves? Elas não plantam, nem semeiam, mas mesmo assim Deus provê o alimento que elas precisam. Olhem para as plantas do campo. Que rei conseguiu se vestir com tamanha formosura? Vocês são mais importantes que as aves do céu e as plantas do campo. Busquem em primeiro lugar a Deus e ele cuidará das suas necessidades. Os exemplos delicados como as aves do céu e lírios do campo não encaixam com a entonação agressiva e rude que muitos crentes e pastores dão a leitura dessa passagem reconhecida como uma das passagens mais belas de toda a Bíblia, a saber o Sermão do Monte. Vários olhares são direcionados à Bíblia. Há pessoas que olham para a Bíblia com as mais variadas intenções. Quando Deus chamou Moisés, lhe perguntou o que tinha nas mãos. Moisés respondeu que era uma vara. Com essa vara Moisés poderia agredir os egípcios, ou ele poderia se defender dos egípcios. Mas Moisés usou aquela vara para conduzir o povo para a liberdade. Do mesmo modo acontece com a Bíblia; ela pode ser usada para agredir os outros; ela pode servir para nos defendermos dos outros; ou pode ser usada libertar as pessoas. Jesus disse: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8:32)”. No culto de gratidão pelo aniversário da MCA da Igreja Batista em Camutanga- PE, o pastor Eliabe comparou a mensagem apresentada com uma poesia. Isso me deixa muito lisonjeado. Mas quem dera Deus realmente nos desse olhos de poetas para perceber que a Bíblia não é algemas nem correntes que aprisionam as pessoas. Quem dera Deus nos desse olhos de crianças para perceber que a Bíblia é na realidade a chave que abre as portas das cadeias e desata as algemas permitindo que o ser humano se torne livre. Quem dera Deus nos desse olhos de poetas e olhos de crianças para podermos mensurar o tamanho do seu amor por nós e do mesmo modo repassá-lo a quem nos cerca. Porque tudo é uma questão de ótica. EXEMPLO DE EXPERIÊNCIA COM DEUSMCA, EXEMPLO DE EXPERIÊNCIA COM DEUS *Pr. Edivaldo Rocha
Esta data marca a sexta comemoração de uma existência de 47 anos da MCA da Igreja Batista em Camutanga. Em praticamente todas as Igrejas Batistas essa organização, chamada MCA, é uma das mais antigas e duradouras. Há casos em que a MCA é mais antiga que a própria igreja. A estabilidade que foi alcançada por essa organização nos faz tirar o chapéu para essas mulheres que hoje festejam. Saber desse fato acarreta também muita responsabilidade para todo aquele que é convidado a falar numa data tão importante como essa. Fiquei muito alegre ao receber o convite para ser o mensageiro nesta noite. Também senti despertar o cuidado de me familiarizar com o clima e tema dessa comemoração, fato que me trouxe há alguns domingos nesta igreja para conhecer a líder da MCA, a qual prontamente me passou o tema e a divisa que a MCA adotou neste ano. Ao meditar acerca do tema proposto “o aperfeiçoamento dos santos: descobrindo e capacitando lideres”, percebi a grande responsabilidade que essas mulheres hoje têm. Por quê? Porque elas estão cuidando do futuro da igreja. Descobrir talentos e capacitar lideres é pensar no futuro; é pensar nas pessoas que estarão a frente desse trabalho quando o nosso tempo terminar. A partir desse tema também podemos constatar que qualquer líder que se preocupa com seu (s) sucessor (es) é no mínimo um bom líder, seja qual for a atividade que ele está desempenhando. A divisa por sua vez descrita na segunda carta de Paulo a Timóteo, “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens (e mulheres) fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2Tm 2:2), descreve mais um grau de responsabilidade desses caçadores de talentos e capacitadores de lideres, que é o cuidado de transmitir aquilo que ouviu a outros que virão. O que esse tema e divisa em conjunto nos mostram é um grande desafio que a Igreja de Jesus precisa encarar com muita seriedade. Para tanto é preciso criar estratégias, elencar alternativas, descobrir meios para que aquilo que aprendemos seja repassado para aqueles que nos sucederão. Nessa busca de meios, acredito que a contribuição de John Dewey (1859-1952) muito nos ajudará a alcançarmos os nossos objetivos. J. Dewey, ao adotar a linha pragmatista, advogava que a teoria deveria andar junto com a prática. Ou seja, para se alcançar um melhor resultado no que se refere ensinoaprendizagem era preciso não somente dizer como se faz, mas mostrar como se faz e colocar o discípulo para praticar. Popularmente diríamos que “um exemplo vale mais que mil palavras”. De fato, se as pessoas virem vocês praticando aquilo que pretendem ensinar, elas apreenderão com muito mais facilidade e praticarão o que vocês hoje praticam. Jesus fez isso o tempo todo com seus discípulos. Ao lado dos preceitos religiosos estava sua prática e seu exemplo na oração, na mansidão, no amor, na justiça, na devoção a Deus, no realizar de milagres, no carregar da cruz. Ser exemplo, talvez seja só uma parte do desafio a ser encarado. A outra parte está no ser exemplo de quê? Exemplos negativos também são assimilados por aqueles que estão á nossa volta. Por isso devemos ter cuidado com quem assume cargo e cargos de liderança. Notem que a passagem bíblica da divisa, orienta que se transmita o que se ouviu a homens e mulheres que sejam fiéis e idôneos. Ou seja, pessoas que estejam à altura de desempenhar bem a função que lhes foi confiada e que ministrem um bom exemplo para os que mais a frente serão seus sucessores. Dentre as muitas características que precisam ser repassadas e exemplificadas a pessoas fiéis e idôneas, destacarei a que, no meu entender e creio que no de vocês também, seja a principal delas: a experiência com Deus. Experiência com Deus é algo imprescindível a todo cristão. Afinal, todos precisam chegar ao pleno conhecimento da verdade que é Cristo Jesus (1Tm 2:4). Contudo, às vezes essa palavra experiência nos engana. Mas deixem-me contar duas histórias e vocês mesmos constatarão isso. A Wolksvagem do Brasil fez um processo seletivo para preenchimento de algumas vagas de emprego. Nesse processo os candidatos tinham que preencher um questionário e um dos itens desse questionário pedia uma redação com seguinte tema: “qual a sua experiência”? Um dos candidatos ao chegar nesse item do questionário escreveu a seguinte redação: "Já fiz cosquinha na minha irmã só prá ela parar de chorar. Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro. Já me cortei fazendo a barba apressado. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado prá tentar pegar estrelas. Já subi em árvore prá roubar fruta. Já caí da escada. Já fiz juras eternas. Já escrevi no muro da escola. Já chorei sentado no chão do banheiro. Já fugi de casa prá sempre, e voltei no outro instante. Já corri prá não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro. Já tremi de nervoso. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua. Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era prá sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: - "Qual sua experiência?" Essa pergunta ecoa no meu cérebro: "experiência... experiência..." Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!" Agora gostaria de indagar uma pequena coisa prá quem formulou esta pergunta:
Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova.
O candidato que escreveu esse belo texto ganhou uma vaga por sua criatividade e mostrou que profissionalmente ele não tinha experiência nenhuma. Porém a última frase dessa redação descreve uma verdade que poucos conseguem compreender: “Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova”.
A outra história é contada pelo antigo diretor do Seminário Teológico Batista do Brasil, no livro o ministro evangélico: sua identidade e integridade (2003. p. 106). O Doutor Merval Rosa conta a história de um cristão que teve uma experiência gloriosa Deus em um determinado dia. “Esse cristão teve uma profunda experiência com Deus. Passou a narrá-la com profundo entusiasmo a todos que podia. Na medida em que o tempo passava, como era natural, os detalhes dessa “experiência gloriosa” começaram a se modificar. Por sugestão da prudente esposa, o cristão escreveu sua “experiência gloriosa” para não alterá-la em sua essência. Os dias se passaram. Ao chegar um visitante, a história se repetia. O cidadão dizia á sua esposa: “Fulana, vai buscar minha gloriosa experiência para que eu conte ao amigo visitante”. E assim acontecia. Um dia porém, a esposa voltou com a triste notícia: “o rato comeu sua gloriosa experiência”).
Um grande filósofo da antiguidade, chamado Heráclito da cidade de Êfeso, dizia que a vida “é um constante vir a ser”, que tudo se renova a cada instante. Ninguém toma um banho duas vezes no mesmo rio, porque as águas do rio se renovam. Até as pessoas mudam a cada momento, por exemplo: uma pessoa que teve três filhos. Para cada filho essa pessoa foi um pai ou uma mãe diferente pelo aprendizado adquirido. Com Deus funciona de modo semelhante. Ninguém se torna experiente diante de Deus porque um dia teve uma vivência que foi colocada num baú para ser contada a quem nos visita ao longo dos anos, mas uma pessoa pode ser considerada experiente à medida que entende que na vida tudo se renova, do mesmo modo que o nosso relacionamento com Deus precisa se renovar a cada manhã mediante a uma nova experimentação desse Deus. Esse é com certeza o maior exemplo a ser vivido pelos lideres de então, é também o maio exemplo a ser presenciado e apreendido pelos lideres que virão. Quando atentamos para essa realidade podemos dizer que somos experientes, porque experimentamos diariamente. E quando for hora de passar o bastão para outro atleta da vida, poderemos olhar para trás e dizer: “Combati o bom combate, terminei bem a minha carreira e guardei a fé. E no dia que Jesus voltar para buscar a sua igreja, a encontrará firme e vigorosa, porque a frente desse trabalho, estarão pessoas que foram bem treinadas e que presenciaram os mais ricos exemplos de viver cristão diário. Amém! (Mensagem apresntada na ocasião do aniversário da MCA da IB em Camutanga -PE) FACHADAS RELIGIOSAS Mt 3:7-12FACHADAS RELIGIOSAS *Pr. Edivaldo Rocha
“Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? 8Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3:7-12). Nos primeiros séculos da era cristã surgiram algumas pessoas que inconformados com os rumos da igreja e da sociedade se desapegavam dos bens materiais e dedicavam-se a uma vida de meditação e purificação afastada das cidades. Era uma tentativa de buscar a Deus de modo individual e particular. Essas pessoas eram chamadas de eremitas e viviam em santidade nos desertos e cavernas ao redor da civilização. Esse movimento eremita sempre causou admiração e com o tempo se organizou formando o que conhecemos hoje como os monastérios. A santidade desses homens atraia muitas outras pessoas para morar nas cavernas vizinhas as dos eremitas. No oriente, um eremita chamado Antonio, por volta do terceiro século ganhou tanta reputação que muitos decidiram morar no deserto junto a ele. Ele nunca se preocupou em formar uma ordem, por isso seus seguidores mantinham práticas de purificação individuais em suas próprias cavernas. Porém nem todos tinham práticas bem equilibradas como Antonio e seus seguidores. É bem verdade que alguns faziam coisas insanas em nome da reclusão, por exemplo: Simão Estilita (c. 390-449), depois de viver enterrado até o pescoço por vários meses, resolveu alcançar a santidade sentando-se numa estaca. Ele passou mais de trinta e cinco anos no topo de uma coluna de dezoito metros, perto da Antioquia; outros pastavam capim como os bois; Amon depois de se tornar um eremita nunca mais tomou banho; outro viveu nu por mais de 50 anos nas imediações do Monte Sinai (CAIRNS, 1995. p. 123-124). Colocando a parte alguns fanatismos, o movimento eremita sempre foi bem visto no início do cristianismo. Em relação à passagem que lemos podemos também afirmar que mesmo antes do cristianismo surgir com a pessoa de Jesus, João Batista já era respeitado por ser um eremita, afinal ele viveu boa parte de sua vida no deserto, desapegando-se dos prazeres e bens materiais e alimentando-se de iguarias como mel e gafanhoto. Essa prática de João Batista lhe deu uma reputação de homem justo e isso o fez respeitado até nos círculos religiosos mais rígidos da época, dos fariseus e saduceus. João adquiriu uma vida religiosa equilibrada e sua devoção inspirava muitos outros a segui-lo a fim de se identificarem como um servo de Deus. A mensagem de João cobrava um arrependimento e aproximação de Deus. A prática de um batismo nas águas do Rio Jordão simbolizava essa decisão. Na passagem de Mateus que destacamos, algo peculiar é apresentado que nos remete aos dias atuais. No verso 7 vemos que fariseus e saduceus vinham a João para receberem o batismo do arrependimento, afinal eles não poderiam parecer menos piedosos que os demais religiosos da época. João percebendo a intenção dos seus corações logo os repreendeu e disse no que realmente consistia o batismo do arrependimento: “produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (v. 8). Não são poucas pessoas que se enganam a si mesmas pensando que participando de cultos de avivamentos, usando camisas com frases evangélicas, ou colocando adesivos nos carros dizendo que aquele bem “é um presente de Deus”, ou ainda cantando os sucessos da música gospel, se tornaram pessoas mais religiosas ou devotas a Deus. João Batista acertadamente afirmava que arrependimento genuíno implica em mudança de vidas, em prática de boas obras e sentimento sincero diante de Deus. Hoje as pessoas admiram o movimento evangélico; hoje as pessoas cantam as músicas dos crentes; leem a Bíblia; hoje as pessoas até acham correta a doutrina evangélica em relação á demais doutrinas religiosas, mas tudo isso não passa de mera fachada religiosa. Os saduceus e fariseus queriam parecer tão piedosos quanto João Batista, por isso, queriam se submeter a seu batismo nas águas do Jordão. Porém, eles não cotavam com o aviso de João: “quem vos induziu a fugir da ira vindoura”? (v. 7). As famílias de modo geral convidam os crentes para realizarem cultos e estudos bíblicos em seus lares, os pais mandam os seus filhos para escola bíblica, os programas de TV convidam os artistas evangélicos para discutir sobre religião e valores, mas isso não tem sido sinônimo de mudança de vida. Os religiosos são homenageados com seus nomes colocado em ruas, praças e escolas e no último dia trinta e um do mês de outubro comemorou-se em Recife o Dia da Consciência Evangélica, mas essas coisas não têm trazido as pessoas ao santo Evangelho de Jesus. Isso não tem levado as pessoas à Salvação. Muitas coisas precisam ser mudadas, a começar com a nossa postura de crentes. Não devemos apenas nos parecer com crentes, mas precisamos ser crentes lavados e remidos no sangue de Jesus e isso é alcançado mediante a fé que gera o arrependimento. A mensagem que João proferiu há quase dois mil anos é ideal para os dias atuais, pois não são poucas as pessoas que querem se parecer com crentes, semana passada (o irmão Amós) apontava o quanto está difícil identificar um crente no meio da multidão. Os fariseus e saduceus se aproximaram de João Batista para parecerem pessoas mais piedosas, mas a advertência que fachadas religiosas não produziam bons frutos espantou os ouvintes. Vida piedosa requer verdadeiro arrependimento e devoção a Deus. Engana-se aquele e aquela que acha que basta apenas se parecer crente. É preciso ser crente de corpo, alma e espírito e assim desfrutar do perdão de Deus. Que Deus nos ajude a vivermos sua palavra. Amém! A tranquilidade das ovelhas - Sl 23A tranquilidade das ovelhas *Pr. Edivaldo Rocha
Hoje o que tenho para compartilhar com vocês tomará apenas uns poucos minutos, nos quais apresentarei uma história, que muitos considerarão infantil, mas que nos fala uma verdade que responde a muitas de nossas perguntas acerca da vida. A história em questão se intitula a tranquilidade das ovelhas e conta o seguinte: “A noite estava escura, céu sem estrelas. De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou: Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim! Mestre Benjamim respondeu: Há sim... E ficou quieto. Veio então a outra pergunta: ‑ E qual é esse jeito? ‑ É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam... ‑ Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando? Mestre Benjamim respondeu: ‑ Quando durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam: Há um pastor que me protege. Ele me leva aos lugares de grama verde e sabe onde estão as fontes de águas límpidas. Uma brisa fresca refresca a minha alma. Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas. Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo. A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam. Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer. Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas. E me dá água fresca para sarar o meu cansaço. Com ele não terei medo, eternamente... (Salmo 23, paráfrase) Mestre Benjamim parou de falar. Os olhos de todas as crianças estavam nele. Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou: ‑ E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem? ‑ Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo. Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo... As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas. De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto. Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.” (Texto de Rubem Alves, do livro: “Perguntaram-me se acredito em Deus”. Editora Planeta, 2007).
O verso que me chama mais atenção no Salmo 23 é o quatro: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Esse verso não nega a existência de dificuldades. Ele até as compara como vale de morte, porém mostra a confiança que todo aquele que tem a Deus como seu pastor demonstra. Talvez alguns de vocês essa semana sentiram medo de alguma coisa. E medo é uma coisa ruim. Sentimos medo por avistarmos algum perigo. A mãe que vê a sua criança na beira de uma escada sentirá medo, visto o risco de uma queda. O pai de família que perde o emprego sente medo de passar necessidades. A vítima de um assalto sente medo por sua vida. Enfim todos nós por um motivo ou por outro sentimos algum tipo de medo ou vislumbramos algum perigo que nos cerca. A historinha que ouvimos (lemos) fala de medo e perigo, mas fala também de um som vindo da flauta do bom pastor. Um som tão angelical que quando ouvimos perdemos o medo dos perigos que nos cercam, mesmo que eles continuem por lá como o lobo que uiva e cerca as ovelhas. O salmo 23 fala de um pastor que sempre está próximo. Fala de um pastor que nos faz repousar em grama verdinha; fala de um pastor que nos leva à água fresquinha quando temos sede; fala de um pastor que acalma o espírito, que guia os nos pés por caminhos planos e nos prepara um banquete da vitória. O salmo 23 fala de um pastor que diz que mesmo que os perigos estejam a nossa volta, podemos ter a certeza que bondade e misericórdias divinas sempre nos seguirão. E isso nos faz entender que não importa o quão grande possa parecer o perigo, nos braços do bom pastor sempre estaremos seguros e o som de sua flauta nos fará dormir sem medo. Amém! August 31 Gn 22:7b-8DEUS PROVERÁ *Pr. Edivaldo Rocha
“Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos” (Gn 22:7b-8).
Semana passada nós falamos da fé que é um dos elementos que caracterizam a personalidade do cristão. O escritor da carta aos hebreus já disse que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). Por isso, nós entendemos que se um crente tem o desejo de agradar ao seu Deus, ele não poderá deixar de exercitar essa virtude cristã. Não importa o tempo que temos na carreira cristã, sempre precisamos aprender mais sobre fé. Aconteceu assim com o pai da fé, Abraão, porque seria diferente conosco. A história de Abraão é uma das mais belas histórias de fé de toda a Bíblia. Mesmo quem já conhece os detalhes, não se cansa de ouvir mais uma vez e aprender mais um pouco sobre esse personagem que se tornou um ícone judaico-cristão, no que diz respeito a relacionamento com Deus. O primeiro desafio de fé que Abrão (antes de Deus mudar-lhe o nome) notou em sua vida, aconteceu no dia em que Deus disse-lhe: “sai da tua terra, do meio dos teus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12:1). Só o fato de imaginar alguém sair de junto de sua família em direção a um lugar estranho aos olhos dessa mesma família parecia loucura, visto ser algo que assusta tremendamente. Quantas pessoas vocês já não viram abandonar a sua casa em verdadeiros êxodos para o sul do país. Pessoas que com suas famílias deixaram tudo que tinham e todos que conheciam para trás em direção a uma cidade que não sabiam ao certo onde ficava, tão pouco se haveria lugar para eles lá. Quantos saíram e nunca mais deram notícias; quantos voltaram dizendo que não encontraram a terra que “mana leite e mel”. Histórias como essas nos fazem ponderar o quão difícil foi o chamado de Abrão. Contudo iniciada a sua peregrinação surge outro problema: de que adiantaria conquistar uma “terra próspera” se ele não teria muito tempo para desfrutar dela, visto a sua idade avançada. No capítulo 15 de Gêneses, Abrão apresenta esse dilema a Deus. Este por sua vez, desafia Abrão mais uma vez a ter fé e diz (paráfrase): não importa que você e sua esposa tenham quase cem anos de idade, eu darei um descendente a você que será o início de uma grande nação. Quem não duvidaria de situação tão descabida. Um casal de quase cem anos gerando uma criança. Por mais que Abrão tivesse vitalidade suficiente para coabitar (ter relações) com sua esposa, o aparelho reprodutor da mesma já não andava com esse vigor todo. Qualquer parente ou amigo que ouvisse essa promessa de Deus a Abrão, com certeza o desencorajaria para que não tivesse suas esperanças frustradas. Nesse sentido me recordo de uma palestra (em vídeo) sobre motivação, ministrada pelo professor Gretz. Em certo momento da palestra ele disse, mais ou menos, assim: do lado de fora do auditório, muitos urubus estarão esperado por vocês para saberem e sugarem de vocês o que vocês aprenderam e desenvolveram nessas horas em que conversávamos. Muitos dirão que isso não passa de um discurso bonito (que eu vivo de palestra e não faço nada disso). Por isso não diga a eles o que vocês aprenderam aqui, porque eles farão de tudo para que vocês se desmotivem novamente. Há pessoas que não ficam felizes com a alegria e esperança dos outros; há pessoas que fracassadas que não suportam ver outras motivadas e tentam inculcar o fracasso na vida dos outros só para balancearem; existem lá fora ladrões de sonhos. Então não conte seus sonhos a eles. Existem lá fora ladrões de fé que farão o que puderem para que desacreditemos de nossos sonhos. Infelizmente Abrão viu pessoas assim dentro de sua própria casa. Sua esposa Sarai chama uma escrava para que se deitasse com Abrão e lhe gerasse um filho em seu lugar, a fim que Abrão tivesse descendentes. Ela não acreditava nas promessas de Deus. Quantas vezes não ouvimos até mesmo dos nossos parentes - “menina isso é besteira de crente”; “isso é conversa de pastor”; “é história de trancoso”. Por mais que nos esforcemos, muitas pessoas não conseguirão entender a fé, porque ela parece loucura para quem é materialista (pessoas que confiam naquilo que podem pegar). Deus se agradou da confiança de Abrão e lhe deu um filho para que dele começasse uma grande nação. O que mais (agora) Abraão poderia querer? O filho que ele e sua esposa tanto desejavam estava ali, diante de seus olhos. Era o resultado da bênção de Deus em carne e osso. O que ninguém imaginaria na vida é que Deus pedisse a devolução dessa bênção. E quando isso acontece? Quando Deus prova Abraão mais uma vez e pede que sacrifique o seu filho. Que história é essa? Deus dá e depois toma? Não! Ele apenas nos ensina com essa prova de fé de Abraão que as bênçãos de Deus não substituem o lugar de Deus em nossas vidas. Em doze anos de evangélico, eu vi muitos crentes pedirem algo para Deus e serem abençoados, mas a bênçãos afastaram esses crentes do compromisso que tinham outrora com Deus. Vi casais noivos pedirem a Deus que apressasse o casamento para pudessem dedicar mais tempo para igreja. E esses mesmos noivos se casaram e usavam os fins de semanas para passear e visitar parentes e entregaram seus cargos na igreja. Vi pessoas pedindo veículos, alegando que seria melhor para vir para igreja, pois não teriam que esperar ônibus e outras coisas mais. Mas, quando alcançaram os veículos, deixavam de ir para Escola Bíblica para ficar em casa lavando o carro, ou levando a uma oficina semana após semana. É muito fácil na vida do crente a bênção tomar o lugar do abençoador, porque geralmente a bênção se torna algo palpável, algo visual, enquanto Deus nós só enxergamos pela fé. Abraão leva o seu menino ao monte para sacrificá-lo, não porque eu pareça, por evidências bíblicas, que ele está trocando o lugar de Deus, mas para deixar uma lição para os seus descendentes e para a Igreja de Jesus. E que lição é essa? Deus nos abençoa para que sejamos bons administradores das bênçãos de Deus aqui na terra. Há alguns poucos anos as pessoas procuravam as igrejas a fim de encontrarem paz, a fim de encontrarem Deus. Nos dias atuais as igrejas mais parecem concessionárias, imobiliárias e agência de casamento. As pessoas não vêm à igreja atrás de Deus, e sim de carros, casas e esposas e maridos, ela vêm atrás da bênção e não têm interesse no Deus da bênção. Até os crentes antigos fazem essa confusão. “Certa vez um senhor resolveu visitar um amigo que há tempos não via. Na ocasião levou o seu garotinho consigo. Chegando à casa do amigo, abraços e apertos de mãos. Então o dono da casa tentando agradar o garoto pegou em um pote bonito um delicioso biscoito e deu ao garoto. O garoto imediatamente colocou o biscoito na boca de deu aquele HUMM! O pai do garoto então disse: --- como se diz, meu filho? O garoto olha para o dono da casa e diz: tem outro”? Às vezes somos como esse garoto. Deus nos abençoa e no lugar de agradecermos, perguntamos, tem mais? Ao sermos abençoados perdemos o foco em Deus e direcionamos para as bênçãos Abraão levou o seu filho para o monte Moriá por um sentimento de gratidão e obediência que tinha para com seu Deus. Ele entendia que o Deus da bênção era maior que a bênção, independente do tamanho dessa bênção. A história de Abraão nos mostra que quando entendemos que Deus é maior que as bênçãos, essas nunca faltarão em nossas vidas. Quando Isaque perguntou a seu pai, e o cordeiro, onde está? Abraão respondeu Javé Jireh, Deus proverá. Gêneses 22:13-14 nos diz: “Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar – O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá”.
Essa foi a primeira vez que Deus foi chamado de Jeová Jireh. E nesse episódio está a mais preciosa lição que a igreja do Século XXI precisa entender: quando o crente entende que Deus deve ser o centro de nosso culto, ele sempre proverá as necessidades dos seus filhos. O que jamais poderemos permitir é que os nossos olhos da fé deixem de ver a Deus para verem as bênçãos. Não importa se esse discurso caminhe contrário a tendência atual das pregações de nossos dias. Mesmo que a figueira não floresça; mesmo que faltem animais no curral e o produto das sementeiras falte, ainda assim nos alegraremos no Deus da nossa salvação (Hb 3:17-18). August 08 PROFETA ZACARIASQUANDO TUDO DÁ ERRADO *Pr. Edivaldo Rocha
Existem alguns momentos na vida em que parece que tudo dá errado. Não importa o que façamos para contornar a situação, mesmo assim não conseguimos ver o resultado dos nossos esforços e até mesmo de nossas orações. Nesses momentos nos sobe um desânimo e paramos de acreditar que as circunstâncias podem ser melhores. Era essa sensação que o povo de Israel estava sentindo quando entra no cenário profético um homem chamado Zacarias. Pertencente a uma linhagem sacerdotal, Zacarias viu a fé dos seus irmão e concidadãos israelitas escorrer pelo ralo. Nem a notícia de libertação do cativeiro provocavou algum alento no coração do povo que não aguentava mais tanto sofrimento. Permitam-me nesta noite fazer menção de outro livro bíblico para ilustrar o motivo do povo andar tão desanimado e desesperançado. Acompanhem comigo alguns trechos do livro de Lamentações e tentemos sentir o drama vivido pelos judeus no cativeiro. “Os que vão passando zombam de você. Eles sacodem a cabeça, dão risadas e perguntam: “É esta a cidade que era chamada de ‘Beleza Perfeita’? É esta o orgulho do mundo inteiro?” Todos os seus inimigos falam contra você e zombam. Com ódio, eles dizem: “Nós destruímos Jerusalém! Chegou o dia que estávamos esperando! Nós vimos tudo o que aconteceu”! (Lm 2:15-16 NTLH). Tentem imaginar dias seguidos de zombaria. Quem passava por um hebreu com a cabeça menosprezava e soltava insultos. A repetição dessa ação jogou a autoestima do povo na sarjeta. Os babilônicos pediam que os israelitas cantassem musiquinhas para diverti-los. E a cada afronta recebida, maior ainda o desgosto e o desânimo do povo cativo. Contudo, esse não era o maior problema do povo. O verso 20 do mesmo capítulo aponta uma coisa infinitamente mais grave que a zombaria diária: “Olha, ó SENHOR Deus, e pensa: Alguma vez trataste alguém assim? Será que as mães deviam devorar os filhinhos que elas tanto amam”? (NTLH)
Já não fosse duro demais ver as crianças que com fome tombavam mortas pelas ruas, as mães eram forçadas pela necessidade de sobrevivência a comer a carne de seus próprios filhos. Quem contemplaria uma cena como essa sem vislumbrar também o desespero. Há vários anos cantavam uma música (que quando eu a mencionam ninguém se lembra, mas) que dizia assim: “se você perdeu tudo aqui, menos a fé em Deus; se você perdeu tudo nessa vida menos a fé, você não perdeu nada”. Mencionei esse trecho da música para falar de algo que vocês já me ouviram falar repetidas vezes: ESPERANÇA. Eu já perdi as contas de quantas vezes já mencionei essa palavra e acredito que me ouvirão falar dela até o fim de minha vida, porque a palavra de Deus fala de esperança para o ser humano. Agora não pensem que esse tema é algo exclusivo meu. Muito pelo contrário. Eu apenas sou um repetidor de ideias alheias. E quem não é? O pregador da palavra de Deus é por natureza um propagador de ideias que não são suas, mas do seu Senhor e Salvador. Então, nesta noite falo a vocês mais uma vez de esperança, pois em meio a todo esse quadro de desgraça, pelo qual passava o povo de Israel um profeta (que ainda não era o Zacarias) levanta a sua voz e diz, “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:20-21).
Trazer à memória esperança é continuar a ter fé. E fé é a certezas das coisas que não temos em mãos, mas que no tempo de Deus se concretizarão (Hb 11:1).
Mais um pouco à frente na história de Israel é que entra em ação mais o profeta Zacarias. Embora mudasse o profeta o drama da nação ainda era o mesmo. A descrença e o desespero ainda assombravam de tal modo o povo, que parecia que não sairiam vivos da Babilônia. Zacarias vem trazer ao povo uma mensagem de esperança e fé. Uma mensagem que levantaria de uma vez por todas a autoestima da nação, uma mensagem de conforto e fortalecimento. Porque assim é nosso Deus: ele transforma cinzas em riso; pranto em alegria; pega o necessitado e o faz se assentar em altos lugares; devolve o animo àqueles que estão abatidos. Amém!
A seqüência do livro mostra que o profeta lança mão das dificuldades enfrentadas no cativeiro e apresenta promessas de vitória para o povo que se chama POVO DE DEUS. Aos que sofriam zombaria, Deus promete considerá-los como a menina dos seus olhos (Zc 2:8) e ai daquele que tentasse qualquer coisa contra os eleitos do Senhor. No que se refere à perseguição, Deus afirma que cada um poderia convidar o seu próximo para sentar-se debaixo de uma videira ou figueira sem sentirem medo algum (Zc 3:10). Os fracos e temerosos seriam revestidos de força (Zc 8:13). Mas acredito que uma das maiores e mais significativas promessas de Deus nesse livro é para aquelas mães que passavam fome e viam seus filhos caírem mortos nas ruas da Babilônia. No capítulo 8:4-5, o profeta diz:“Mais uma vez, os velhinhos e as velhinhas, com as suas bengalas na mão, vão se sentar nas praças de Jerusalém. E as praças ficarão cheias de meninos e meninas brincando”. Não haveria mais fome e todos chegariam a uma idade tão avançada que precisariam de bengalas para se apoiar; as crianças não mais cairiam mortas por inanição, mas brincariam felizes nas praças de Jerusalém alegrando quem as visse. Quando meditamos nas palavras de Deus reveladas ao profeta Zacarias, nos lembramos também das palavras de Deus revelada aos apóstolos Paulo e Pedro que respectivamente nos dizem: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10:13) “O Deus de toda graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante pouco tempo, os restaurará, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces” (1Pe 5:10).
E isso nos enche de esperança. Amém! PROFETA AGEUMORADAS DO ESPÍRITO *Pr. Edivqaldo Rocha
“A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos (Ag 2:9).
Um dos textos mais conhecidos do livro do profeta Ageu é este que acabamos de apresentar. Sempre que empreendemos novos trabalhos, costumamos dizer que a estrutura do segundo trabalho será maior que o da primeira. Isso reflete o desejo que as congregações plantadas sejam maiores que as igrejas-mães. O livro do profeta Ageu fala de restauração. O povo estava voltando do cativeiro babilônico e reconstruindo as vilas e cidades, os muros, a vida e também o Santo Templo do Senhor. Nas duas primeiras áreas estava tudo correndo bem, porém as duas últimas não estavam num ritmo desejado por Deus. Nos evangelhos Jesus nos disse enfaticamente: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Mas nesse momento o povo de Israel estava fazendo o inverso: buscavam as demais coisas e deixavam a devoção a Deus para outros momentos. A ênfase principal do livro é a reconstrução que representa duas coisas básicas: a reconstrução do Templo propriamente dito e a reconstrução do Templo do Espírito Santo. v O TEMPLO PROPRIAMENTE DITO Quando o exército babilônico invadiu Jerusalém, ele não poupou o templo. Todas as coisas preciosas que havia em seu interior foram levadas. Os revestimentos luxuosos, as pedras preciosas, os metais preciosos foram profanados e levados como despojos para o rei Nabucodonosor. Quem entra em um domicílio para roubar não se preocupa com a arrumação das coisas, tampouco em abrir e fechas as portas e janelas adequadamente. O templo ficou em ruínas e não havia mais beleza em sua construção: “Queimaram a Casa de Deus e derribaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios queimaram, destruindo também todos os seus preciosos objetos” (2Cr 36:19). A volta à Jerusalém marcava uma história de reconstrução da estrutura física do santuário de Deus, mas essa não era a prioridade do povo e por isso ele não prosperava no que fazia. Os versos cinco e seis do primeiro capítulo revelam isso: “Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado”
Isso nos serve de alerta no que diz respeito ao nosso zelo para com o trabalho do Senhor. DEUS ESPERA DO SEU POVO FIDELIDADE E ISSO IMPLICA EM PRIORIDADE. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33).
Um grande pregador diante de sua igreja em um domingo disse: “Prezados irmãos, insisto em que todos vocês venham às reuniões semanais. ‘não deixemos de congrega-nos’. Alguns dos ‘prezados irmãos’ têm-se comportado assim: o irmão “A” pensa: parece que vai chover e conclui que é melhor que sua família, incluindo naturalmente ele mesmo, fique em casa. Na quinta-feira à noite choveu muito e o mesmo irmão chamou uma carruagem e levou toda a sua família para a Academia de Música para ouvir uma palestra de M. Agassiz sobre a inteligência da lagosta. O irmão “B”, por sua vez, pensa: eu estou tão cansado para ir, então ficou em casa e trabalhou no trenó que prometeu fazer para Billy. A irmã “C” pensa que as ruas estão muito escorregadias e seria perigoso para ela sair. Na manhã seguinte eu a vejo descendo a rua para pegar seu velho chapéu que mandara restaurar. Ela estava usando meias velhas sobre os sapatos para não escorregar. Três-quartos dos membros ficaram em casa. Deus estava na reunião de oração. O pastor estava lá e Deus abençoou a todos. Cada pessoa que ficou em casa estava representada por um lugar vazio. (e concluiu dizendo) Deus não abençoa lugares vazios” (SPURGEON, Charles H. o melhor de C. H. Spurgeon. Curitiba: Luz e Vida, 1997. p.27-28). Freqüência aos cultos, fidelidade nos dízimos e ofertas são apenas alguns dos compromissos que devemos assumir para com nosso Deus, para que vejamos nossos celeiros transbordarem. v TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO O apóstolo Paulo no discurso que fizera em Atenas disse: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas” (At 17:24). Mais adiante ele mesmo afirmou na Carta aos Efésios (2:22) que os crentes são morada do Espírito Santo de Deus. Então, por essa perspectiva compreendemos quão profunda é a mensagem do profeta Ageu. Na época de Jesus o Templo do Senhor era esplendoroso. Isso enchia de vaidade o povo por terem conseguido fazer tão bela construção. Mas o questionamento da mulher samaritana traz ao nosso entendimento onde se encontra a verdadeira adoração: se encontra no coração daqueles em que habita o Espírito Santo (Jo 4:23-23). Isso nos faz refletir acerca da morada do Espírito que é o coração dos crentes. Ageu alerta sobre reformas urgentes a serem feitas no Templo do Senhor. A glória do Senhor será maior em nossas vidas na medida em que compreendermos bem o que é ter uma postura que priorize a vontade de Deus em nosso caminho diário. Deus quer estabelecer reformas profundas e significantes na sua morada espiritual o que precisamos é dar oportunidade para tal. July 18 profeta HabacuquBUSCAI E ACHAREIS *Pr. Edivaldo Rocha
Quem lê o livro do profeta Habacuque aprende lições importantíssimas acerca da oração. Pela oração nós elevamos o nosso ser a Deus apresentando diante de sua face súplicas, intercessões louvores, fé e mais uma variedade de sentimentos. O livro de Habacuque começa com uma oração: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniqüidade e ver a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim; há também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido” (1:2-4).
Habacuque era o que nós chamaríamos hoje de servo zeloso. Ele era um homem que estava preocupado com o destino da nação. A corrupção que se instalou no meio do seu povo o incomodava como se fora dentro de sua própria casa. Indignado, o profeta em oração leva sua queixa a Deus e aguarda do mesmo uma resposta, “Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa” (2:1). O que Deus revelou ao profeta o fez refletir sobre a sua petição. Quando lemos com atenção o livro do profeta Habacuque, notamos um homem revoltado porque seus irmãos na fé não respeitam mais os Estatutos de Deus. Então, movido por sentimentos de justiça, o profeta cobra de Deus providências. O que ele não sabia, ou não lembrou naquele instante é como a mão de Deus poderia ser pesada. Isso nos faz pensar sobre o que esperamos receber de Deus quando oramos. “Contam a história de um homem que saiu para passear com seu filho num barco à vela. Quando já estavam em alto mar, o vento parou de soprar deixando o barco à deriva. As horas rapidamente se passaram, chegando a anoitecer. O garoto já desfalecia de cansaço e apresentava sinais de desidratação. Sem ter nada com que pudesse se comunicar ou alertar que estava em dificuldades, o pai do garoto ora a Deus: ‘por favor, envia vento’. O pai do garoto olha em todas as direções, mas nem sinal de uma brisa sequer. Minutos depois, quando o pai do garoto também já se rendia ao cansaço, soa a buzina do barco da guarda - costeira que reboca o barco á vela até a praia. Deus não enviou vento como pediu o pai do garoto, porque o Espírito Santo que intercede por nós entendeu que não era vento que eles precisavam e sim de socorro”.
Essa ilustração nos remete ao texto, segundo Paulo escreveu aos romanos 8:26, “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”. É certo que o Espírito Santo "dá uma arrumada" em nossas orações quando não sabemos como fazê-lo, porém ele não muda a mensagem ou intenção das orações. Habacuque percebeu isso quando em seu posto recebeu a resposta de Deus. Percebeu também que a forma com que orou estava equivocada; que o zelo que havia em seu coração se transformou em legalismo; e que precisava mudar de atitude. Quando falamos de orações equivocadas lembramos-nos apropriadamente da parábola do fariseu e do publicano (Lc 18:9:14). O fariseu que cheio de si erguia sua voz diante de Deus para se exaltar e se vã gloriar e com isso menosprezava aqueles que não conseguiam manter uma vida religiosa regrada como o publicano. O fariseu alojava dentro do seu coração um orgulho que lhe corroia a alma. Por outro lado, a oração de um publicano pecador obteve recompensa sendo por ela justificado. Quando o profeta compreendeu que sua oração não refletia o que o povo realmente precisava, ele mudou de intenção e de oração também. O capítulo 3 de livro mostra outro enfoque na oração do profeta, onde em vez de castigo, o profeta angustiado pelo que o povo passaria pede por misericórdia: “Ó SENHOR, ouvi falar do que tens feito e estou cheio de temor. Faze agora, em nosso tempo, as coisas maravilhosas que fizeste no passado, para que nós também as vejamos. Mesmo que estejas irado, tem compaixão de nós” (Hb 3:2 NTLH).
Jesus disse, “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7:7-8). Quando Habacuque clamou por justiça, nem ele mesmo suportou o peso da mão de Deus. Se nossas intenções ao orar revelarem os mais nobres sentimentos, com certeza veremos Deus operar maravilhas em nosso meio mediante o seu amor e sua infinita misericórdia. Sei que algumas vezes nos indignamos com o procedimento de outros crentes que tem escandalizado o Evangelho de Jesus. O próprio profeta também se sentiu assim. Mas o seu exemplo nos mostra que ao pedirmos justiça sobre o povo de Deus, nem sempre revela que somos zelosos. Ele mesmo não suportou prever o que ocorreria. Isso nos ensina que Deus é justiça, mas é, acima de tudo, amor. Amor que é compassivo; que é perdoador; amor que é misericordioso; amor que mesmo estendendo a vara da repreensão visa o aperfeiçoamento dos seus filhos. Tal sentimento divino nos faz repensar sobre os nossos sentimentos em relação ao povo de Deus. Diante de tão preciosa lição que Habacuque aprendeu revigorou-se também dentro do seu peito uma profunda confiança em seu Criador que não importasse o que acontecesse ele continuaria a crer no Deus da sua Salvação. “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação” (3:17-18).
Que a história de vida de Habacuque nos mostre que quando oramos como convém alcançamos as preciosas recompensas que Deus tem para seu povo. Amém! profeta NaumUMA PONTE CHAMADA ARREPENDIMENTO *Pr. Ediavaldo Rocha
O livro do profeta Naum é um dos menos citados pela Igreja, visto a particularidade e teor da sua mensagem. Naum pregou uma mensagem de cunho patriota, com a intenção de confortar a nação de Israel. Algo bem interessante é o significado contido no nome do profeta, “consolação”. Somente um consolador por nome poderia trazer uma mensagem como essa. A profecia é dirigida à cidade de Nínive, capital da Assíria. Em 722 aC o Império Assírio era o mais poderoso e temido do mundo. A crueldade dessa nação fazia com que seus adversários ficassem apavorados somente com a possibilidade de serem atacados por ele. Grandes nações com o Egito, a Etiópia e a Líbia trataram logo de fazer alianças com os Assírios para não sofrerem retaliações. Contudo, isso não deveria assombrar o povo de Israel, porque Deus livraria o seu povo. Um exemplo desse livramento ocorreu quando o bom rei Ezequias clamou a Deus na ocasião da invasão do general Senaqueribe em 2Rs 19:35 (703 aC). O livro foi escrito em forma de poesia e descreve que a Assíria não dominaria Israel e nesse sentido tem algo inquietante nesse livro. É certo que todos os impérios que surgiram ao longo da História foram suplantados por outros. Na profecia de Naum é previsto que a Assíria seria derrotada pelo exército vermelho (Na 2:3), ou seja, pelo exército babilônico. E quem foi a Babilônia na vida de Israel? Fora a nação que levou cativo o povo inteiro. É claro que entre a ameaça a Assíria e o domínio da babilônia passaram-se uns cem anos. Isso nos faz fazer uma pergunta: Por que Deus livraria de um povo para deixar cair nas mãos de outro?
Precisamos lembrar que o período de Naum era um período de restauração da espiritualidade em Israel. O povo ainda desfrutava do investimento religioso que o rei Josias antecedido por Ezequias promoveram em Israel. Nesse momento da história do povo de Deus o povo estava sendo restaurado e preservado por se submeterem a o arrependimento. E nesse ponto vemos a maior lição desse livro. A essa lição dei o seguinte título: uma ponte chamada arrependimento. Desde o início dos tempos (em tempos de Adão) Deus prometeu restaurar o seu povo. Há dois caminhos para se chegar à restauração que Deus tem para seus escolhidos, que em termos populares nomeamos: ou vai-se pelo amor ou pela dor. Em termos bíblicos dizemos: ou vai-se pelo o arrependimento ou pela repreensão/castigo. A restauração é o ponto de chegada de todos aqueles que foram escolhidos por Deus e aceitaram o seu chamado. A repreensão/castigo é um rio que faz fronteira com a restauração. O arrependimento é uma ponte que cruza o rio levando à restauração do ser humano. O que estava acontecendo com o povo de Isael naquele momento de sua história? Ele estava cruzando a ponte do arrependimento que foi promovida pelas reformas religiosas e morais que o povo experimentou nos reinados de Ezequias e Josias. Em resumo, Naum estava dizendo que eles não passariam pela repreensão e castigo por terem se arrependido em tempo oportuno. Se continuassem com esse proceder Deus manteria o povo a salvo para todo sempre. Mas, cem anos depois, a Babilônia (597aC) vai representar outro momento religioso do povo. O momento em que Israel não quis cruzar a ponte do arrependimento, preferindo, ou tendo como consequência de seu comportamento ter que cruzar o rio do castigo. Nos dias de hoje as coisas funcionam de modo semelhante. Deus nos chamou para a restauração conforme Efésios 4:13 “Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo” (NTLH). Quando Deus nos chama e ao atendermos esse chamado, ele com certeza no conduzirá a essa restauração que é definida no texto que lemos como altura espiritual de Cristo e em algumas outras versões com Estatura do varão perfeito. Porém, isso pode se dar por dois caminhos: o primeiro é pela ponte do arrependimento constante e o segundo, pelo rio da repreensão. O problema está em quem não opta pelo arrependimento em tempo oportuno e acaba tendo que cruzar pelo rio. A travessia é dura, a força das correntezas podem afastar mais ainda do destino e quando se consegue chegar do outro lado, chega-se quase sem forças, mas apesar de tudo, com uma certeza: que melhor seria se tivesse cruzado a ponte chamada arrependimento.
“E o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2Cr 7:14).
Hoje Deus nos revela uma coisa muito importante em nossas vidas. Algo que com poder de mudar o nosso modo de ser radicalmente.
Deus nos revela que não há como dizer não ao seu chamado. Tal chamado nos levará à restauração do nosso ser e nossas almas até o ponto da Estatura de Cristo que foi perfeito. Mas a grande questão é: por que caminho você quer chegar lá? Pense nisso! July 16 PROFETA JONASFUGINDO DA PRESENÇA DE DEUS *Pr. Edivaldo Rocha
“Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor” (Jn 1:1-3a).
Quem aqui nunca ouviu falar do profeta Jonas? Ao lado de Jesus, do pequeno Davi, Jonas é um dos personagens preferidos das crianças. A narração que relata o profeta sendo jogado ao mar e capturado por um grande peixe fascina a muitos e causa espanto a outros, a ponto de questionarem se seria possível tal ocorrido. Às vezes surge uma dúvida somente na mente daqueles que não creem em milagres. Porém, esse é apenas um detalhe no livro de Jonas que muito tem a nos ensinar. Os versos que destacamos nos apresentam um profeta em fuga. O que leva um homem a fugir da presença do Senhor? Parece que essa prática é típica do ser humano, senão vejamos o exemplo de Adão: depois de ter pecado ele se cobre com folhas e se esconde no jardim. Mesmo tendo sido inútil a tentativa de Adão, os seres humanos ainda não aprenderam que não há como fugir da presença de Deus. O salmista compreendeu isso quando disse no salmo 139: 1-3, 7-10 “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá”
Se perguntássemos o porquê de Jonas querer esconder-se da presença do Senhor, teríamos com resposta que seu coração guardava algo que não agradava a Deus. Jonas guardava um rancor em seu coração contra a cidade de Nínive pertencente à nação assíria. Ele e muitos do seu tempo não superaram os traumas oriundos dos conflitos que Israel teve contra essa nação. Israel pra variar perdeu e fora dominada pela Assíria. O problema não foi necessariamente a dominação estrangeira, mas os castigos aos quais eram submetidos por eles. Os soldados assírios não se contentavam em apenas matar os soldados inimigos. Eles submetiam seus adversários às mais terríveis torturas. Eles se divertiam massacrando a dignidade de seus adversários. Por isso é que Jonas não quis levar a mensagem de Deus à Nínive, capital da Assíria. Jonas sabia se o povo se arrependesse, Deus pouparia aquela nação. Jonas tinha tanto ódio contra o povo de Nínive que reteve a mensagem de Deus para que os mesmos não conhecessem a verdade e com isso não tivessem chance de se salvarem diante de Deus. O rancor que Jonas mantinha vivo em seu coração o impulsionava a querer fugir da presença de Deus. Quantas vezes isso também não acontece conosco? Quando guardamos dentro do nosso peito mágoas, rancores, vícios e outras coisas temos a tendência a nos afastarmos de Deus. Deixamos de ler a Bíblia, deixamos de orar, não cantamos mais hinos de louvor a Deus. Jesus nos adverte sobre essa conduta. E diz que alguma coisa impede a nossa comunhão com Deus é melhor arrancá-la de nossas vidas. Em suas próprias palavras ele nos diz: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno (Mt 5:29-30).
Devemos por fora aquilo que não agrada a Deus; tudo aquilo que nos impulsiona a fugirmos de sua presença.
A história de Jonas também nos mostra que quando fugimos da presença de Deus, temos que pagar um alto preço. Quando fugimos da presença de Deus, infortúnios nos sobrevêm. O profeta em fuga pegou um navio em direção à Espanha. No porão do navio Jonas se entregava nos braços do sono e não percebera que o mar se levantava, o vento soprava com violência e o barco estava prestes a afundar. O interessante neste trecho do livro é quem está envolvido na situação: as pessoas que estão em volta do profeta. Às vezes nós pensamos que quando tentamos inutilmente nos esconder de Deus as consequências recaem apenas sobre nós. Esse é um triste engano. Quando nos afastamos da presença do Senhor todos que estão à nossa volta sofrem também. Como assim, pastor? Nenhum crente é crente sozinho. Quantas vezes nos colocamos diante de Deus para pedir que Deus acampe os seus anjos ao redor de nossos filhos, pais, irmãos, esposos (as), quantas vezes não nos colocamos diante de Deus para pedir por um necessitado, pelo enfermo, pela ovelha desgarrada e Deus por sua infinita misericórdia dá ordem aos seus anjos para que montem guarda ao redor daqueles que estão presentes em nossas orações. Mas quando fugimos da presença de Deus, as fortalezas se enfraquecem e os que recebem os frutos de nossas orações ficam vulneráveis. O mar da vida se levanta e o vento impetuoso sopra o barco tende a balançar. E por que os crentes ainda hoje continuam se escondendo de Deus? Porque em seus corações existe algo que não deveria estar ali. Jonas não queria remover o rancor que alimentava em seu coração e por isso fugia da presença de Deus. Por que o salmista Davi pediu a Deus que sondasse o seu coração e o guiasse pelo caminho eterno? Foi tão somente por ter visto com seus olhos o que acontecia quando ele se escondia de Deus: os seus filhos se levantavam uns contra os outros; os inimigos da nação investiam cada vez mais forte contra os israelitas; dificuldades das mais diversas surgiam, até o momentos em que Davi se colocava diante de Deus pedindo perdão por suas falhas, rogando por sua misericórdia. Há muitas coisas que nos fazem querer fugir da presença de Deus. O próprio Espírito Santo nos incomoda acerca delas. Deus espera de nós purificação e santidade. Não pensemos que essas palavras saíram de moda ou estão em desuso, muito pelo contrário. Esses ainda são requisitos para nos aproximarmos de Deus. E a última lição que apresentarei nessa noite sobre o livro de Jonas está no poder transformador que há na palavra de Deus. Eu sei que já falei a vocês que a mensagem profética do livro Jonas se resumia em nosso idioma em sete palavras: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (Jn3:4). No original são apenas cinco: “`od ´arba`ym yom ninevh nahphaket”. Porém, elas foram suficientes para transformar o futuro de uma nação. Isso me faz lembrar-se de uma história verídica que aconteceu quando um famoso pregador chamado Charles Spurgeon ministrava a palavra de Deus. Conta a história: “Uma prostituta tinha decidido se suicidar. Determinada ela se dirigiu a Ponte de Blackfriars, com o intuito de se jogar no rio Tamises. Entretanto, o caminho escolhido a levou a passar em frente à Capela de New Park Street. Sentido-se atraída pelo que acontecia no interior da igreja, decidiu entrar por uns momentos. No Templo estava a pregar Charles Haddon Spurgeon o qual dissertava sobre o texto: “Vêem esta mulher”? Naquele instante enquanto falava do Evangelho eterno a respeito de uma mulher de uma antiga cidade, que era notória pecadora, a qual descreveu regando os pés de Jesus com suas lágrimas e enxugando-os com seus cabelos, Spurgeon afirmara com autoridade que Jesus a perdoara por amor. Tendo ouvido isto e pensando em sua própria vida, a suicida em potencial, se arrependeu de seus pecados encontrando em Cristo paz e alegria para sua alma cansada”. Tentem imaginar se naquele dia Charles Spurgeon por algum motivo tentasse fugir daquilo que Deus lhe incumbira. Aquela mulher teria se atirado da ponte, pondo fim a sua vida. Quantas pessoas não chegam para mim nos fins de cultos e dizem “pastor, eu estava precisando ouvir isso” ou “sua mensagem tirou um grande peso no meu coração”. Na verdade na maioria das vezes eu nem sabia o que se passava na vida dessas pessoas, algumas delas eram estranhas até aquele determinado dia e muito menos que parte da mensagem promoveu esse conforto, mas Deus através da sua Palavra trouxe um alento oportuno. Contudo, isso me faz alimentar a certeza da importância de compartilhar a mensagem do Senhor Jesus. Ela transforma realidades. Por isso, se Deus te incomodar para dizer algo, fale e verás a glória de Deus. Que hoje possamos entender que não há como fugir da presença de Deus; e que quando tentamos fazer isso, aqueles que nos cercam e estão presentes em nossas orações sofrem com a nossa tentativa de fuga e por fim que esteja viva em nossa lembrança o quão poderosa é a Palavra de Deus, que é capaz de transformar o ser humano desgarrado em vaso de honra. Amém! (mensagem apresentada na 1ª Igreja evangélica Batista em Ferreiros no dia 12/07/09) July 13 DIA DO PASTOR 2009DEUS É O MEU PASTOR *Pr. Edivaldo Rocha Um dos textos bíblicos que mais me fala ao coração é o verso 4 do salmo 23, que diz: “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte; não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. O salmista Davi aprendeu que nesta vida é agradável viver momentos de bonança e tranquilidade. Nesses momentos Davi expressou sua gratidão com palavras de louvor e confiança, como as que estão descritas no salmo 65:8-13. “Os que habitam nos confins da terra temem os teus sinais; os que vêm do Oriente e do Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo. Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces copiosamente; os ribeiros de Deus são abundantes de água; preparas o cereal, porque para isso a dispões, regando-lhe os sulcos, aplanando-lhe as leivas. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura, destilam sobre as pastagens do deserto, e de júbilo se revestem os outeiros. Os campos cobrem-se de rebanhos, e os vales vestem-se de espigas; exultam de alegria e cantam”. Contudo a experiência mostrou a Davi que na vida as circunstâncias podem ser bem cruéis. Nessas horas vejo Davi de joelhos no chão orando assim: “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte; não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Só um homem com uma profunda confiança e seguro na provisão do Altíssimo pode se colocar diante de Deus dessa forma. Tal confiança e segurança Davi alimentou nos momentos de paz, como aquele homem que planta uma árvore da qual só os seus filhos experimentarão dos frutos. Dizem que uma nogueira (árvore da noz) só dá o seu primeiro fruto com setenta anos de idade. Então é certo que só alguém que sabe lidar com o tempo é quem planta uma árvore como essa. Fortalezas são construídas em tempos de bonança e paz. Talvez algumas sementes que plantamos em tempos de paz só os nossos filhos possam experimentar dos frutos. Mas há outras que nós mesmos desfrutaremos em tempo oportuno. Davi tinha confiança e segurança em Deus, porque um dia ele se dispôs a plantar sementes. Dia a dia ele regou essas sementes com devoção e gratidão a Deus. Um dia essas sementes se tornaram árvores que deram seus frutos. E mesmo em momentos de aridez, Davi sabia que podia contar com os frutos do seu investimento.
Há muitas pessoas que só procuram Deus em momentos de tribulação. Quando isso acontece, essas pessoas geralmente têm mais dificuldades para confiarem e se sentirem seguras. Todavia, o salmo 23 nos ensina que quem buscou o Senhor em momentos de tranquilidade, pode contar com ele quando passar pelo vale da sombra da morte. O salmo 23 é cheio de ricas e belas lições. Além de nos mostrar a confiança e segurança que o servo pode ter no seu Senhor, ele nos oferece a perspectiva de um servo fiel que está sendo desafiado pelas tribulações. Muitos ao se depararem com dificuldades e tormentos da vida baixam a cabeça e não conseguem encontrar alento para suas angústias. Por outro lado, quem desenvolve a confiança em Deus passa pelas aflições com outra perspectiva, a qual também vislumbramos nesse salmo de Davi. No verso 4 Davi apresenta como estava complicada a sua situação a ponto de compará-la como vale da sombra da morte. Mas notem o que ele espera dessa situação nos versos seguintes. “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre” (v. 5-6).
Davi passava pelas tribulações com a confiança e segurança na vitória que Deus lhe proporcionaria. Davi suportava o vale sombrio alimentando a esperança que o Senhor continuava sendo o seu Pastor e nada lhe faltaria.
Deus é o nosso pastor e nada nos faltará, ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, não temeremos, porque Deus nos manterá seguros com a sua vara e o seu cajado.
Deus é o nosso pastor. Confiemos nele e com certeza participaremos do grande banquete no dia da nossa vitória. Nesse dia os vales escuros das tribulações serão alçados até o topo dos montes e a luz do Senhor brilhará e nos sentiremos em paz e seguros na planície do Senhor para todo sempre. Amém! (mensagem apresentada na 1ª Igreja Batista em Ferreiro em 14/06/09) May 08 dia das mãesCORAÇÃO DE MÃE *Pr. Edivaldo Rocha Hoje é um dia especial. E para esta data procurei algumas palavras que pudesse reproduzir o sentimento de uma pessoa tão importante em nossas vidas. Lembrei-me então do trecho da poesia de Gióia Júnior intitulada: “Oração da maçaneta”
Eu vi nas linhas desta poesia o retrato do coração de uma mãe que se vê obrigada a dividir seu filho com o mundo. De um modo ou de outro sempre o mundo despertou nesses corações de mães certa insegurança ante os perigos que oferecem as ruas da cidade. O simples ir sozinho à escola talvez seja para algumas mães a maior prova de fogo que um filho poderia passar.
Os filhos quando crescem já não andam mais de mãos dadas com suas mães. Muito embora já sejam crescidinhos, para os pais de modo geral os filhos serão sempre “os seus meninos”.
A Bíblia nos mostra, no evangelho de Lucas 2:41-52, uma narrativa de uma mãe que ficou aflita por não encontrar seu filho. “Todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém para a Festa da Páscoa. Quando Jesus tinha doze anos, eles foram à Festa, conforme o seu costume. Depois que a Festa acabou, eles começaram a viagem de volta para casa. Mas Jesus tinha ficado em Jerusalém, e os seus pais não sabiam disso. Eles pensavam que ele estivesse no grupo de pessoas que vinha voltando e por isso viajaram o dia todo. Então começaram a procurá-lo entre os parentes e amigos. Como não o encontraram, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. Três dias depois encontraram o menino num dos pátios do Templo, sentado no meio dos mestres da Lei, ouvindo-os e fazendo perguntas a eles. Todos os que o ouviam estavam muito admirados com a sua inteligência e com as respostas que dava. Quando os pais viram o menino, também ficaram admirados. E a sua mãe lhe disse: Meu filho, por que foi que você fez isso conosco? O seu pai e eu estávamos muito aflitos procurando você. Jesus respondeu: Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devia estar na casa do meu Pai? Mas eles não entenderam o que ele disse .Então Jesus voltou com os seus pais para Nazaré e continuava a ser obediente a eles. E a sua mãe guardava tudo isso no coração. Conforme crescia, Jesus ia crescendo também em sabedoria, e tanto Deus como as pessoas gostavam cada vez mais dele” (NTLH). Filhos sempre dão certa preocupação aos pais e principalmente às mães. De uma simples queda (e parece que criança gosta de cair) a um sumiço. Se eu perguntar aqui às mães, quantas vezes elas já não trataram de joelhos ralados, quantas vezes já não puseram gelo na testa dos filhos por galos (edemas) que cresciam, quantos sustos já não tomaram por não saber onde os filhos estavam. Com certeza muitas diriam que já perderam as contas de quantas vezes fizeram isto. Permitam-me dizer dois fatos de minha infância que ilustraram isso que vos falo.
Certa vez e cai da cama de minha mãe de cabeça no chão, lá em casa era comum eu e meus irmãos cairmos de cabeça no chão. Naquele dia eu mostrei toda a minha valentia gritando tão alto que minha mãe ouviu da casa da vizinha do outro lado da rua. Quando minha mãe chegou em casa e viu aquela trela que fiz me agarrou pelos cabelos, pôs minha cabeça na pia do banheiro e começou a esfregar um sabão onde tinha ferido e eu não sabia se a queda ou era aquela limpeza do ferimento que doía mais, em seguida me levou para o hospital para pontear (suturar) a cabeça. Não sei se vocês conseguiram notar a delicadeza duvidosa de minha mãe. Mas ouve outro fato que aconteceu em outro dia, que muito embora fosse da idade de 5 ou 6 anos me lembro com muita clareza. Nesse dia minha mãe e eu íamos nos encontrar com meu pai em seu trabalho. Nós morávamos numa vila em Caieiras – SP que para chegar ao centro da Lapa precisávamos pegar dois ônibus: um do Jardim Esperança, onde morávamos, para Caieiras e outro de lá para a Lapa. Naquele dia ao chegarmos integração de Caieiras minha mãe me deu um dinheiro para comprar alguns doces. De repente ela gritou: “vem logo que o ônibus já vai sair”. Peguei os doces e corri em direção à porta dianteira dos ônibus e me sentei num dos primeiros bancos. Então ouvi outro grito por meu nome: “cadê você”? Olhei para a traseira do veículos e vi uma mulher sentada no fim do ônibus que pensei ser minha mãe pela roupa parecida e respondi: “estou aqui na frente”. E o motorista começou a viagem. Depois de muito tempo eu olho para trás e percebo que o ônibus já estava quase vazio e que a mulher para quem eu havia respondido não era a minha mãe e o destino do ônibus não era a Lapa e sim Franco da Rocha, no outro extremo da cidade. Pedi parada, desci do ônibus e comecei a andar o caminho de volta. Depois de andar muito tempo, na chuva, avisto minha mãe bem longe e corro ao seu encontro. Durante a minha vida eu vi minha mãe chorar duas vezes e aquela foi a primeira vez. Lembro deste dia e tento imaginar o que Maria teria sentido quando procurou seu filho entre os companheiros de viagem e não o achou. O coração acelerando, a sensação de falta de ar, a angústia que assolou sua alma e vontade de cair ao chão, talvez sejam de longe o que Maria poderia estar sentindo naquele momento. Com o apoio de José, seu marido, deixa com os parentes as bagagens e o que poderia atrasar o retorno deles a Jerusalém e faz o caminho de volta.
Do momento em que sai daquela integração ao momento que em que vi minha mãe ao longe se passaram duas ou três horas de angústia. Mas a Bíblia fala que Maria passou três dias procurando Jesus. Com o passar das horas e dos dias a angústia vai se tornando desespero. Pensava ela no seu intimo: ele deve estar com fome, deve estar dormindo ao relento, ele pode estar machucado. A ida ao templo poderia refletir duas atitudes: poderia ser mais um lugar a ser procurado. E a outra é que no momento de desespero por procurar durante três dias só restaria uma coisa a fazer. Buscar a presença de Deus na sua casa. Isto me traz à lembrança de quantas mães não entram por estas portas para suplicarem pela vida de seus filhos.
Quantas mães não oraram por seus filhos de joelhos no chão derramando lágrimas nos bancos das igrejas. Mas nesta noite ainda contarei mais uma experiência de Maria enquanto mãe de Jesus. O texto do evangelho de João 19:25-27 narra mais um momento difícil pelo qual passou Maria: “E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa”. Tento contemplar o que Maria teria sentido ao presenciar todo o sofrimento de Cristo. Imagino que em sua alma havia dois sentimentos: o primeiro, de lamento e sofrimento por ver que o Filho de Deus teria que passar por tudo aquilo para que para que todo aquele que cresse fosse salvo. Mas o outro sentimento devia ser de uma dor capaz de lhe roubar as forças, como se seu coração fosse tirado de seu peito. E talvez por haver este segundo sentimento é que o discípulo tivesse levado Maria para casa.
Na ordem natural da vida é comum os filhos enterrarem seus pais, mas o contrario é difícil de aceitar. Por um lado, Maria via o Cordeiro de Deus, mas por outro via a criança que ela amamentou, educou e protegeu sendo pendurado no madeiro. Ah! Coração de mãe que às vezes é surpreendido com o filho que não voltará mais para casa. Maria talvez já estivesse acostumada com as saídas de Jesus na execução de seu ministério. Dias e dias fora de casa, porém com a notícia que ele passava pelas cidades e vilas realizando milagres e implantando o Reino de Deus. Imagino também nos dias depois da crucificação e antes da ressurreição ela sentada em frente à porta de sua casa esperando ver o movimento “da maçaneta da porta” que anunciaria a entrada de seu filho. Jesus com certeza retornaria. porém não mais como seu filho, mas como Salvador de sua vida, Rei e Senhor. Um dia Maria teria dado cuidado, abrigo e proteção a Jesus, mas nesse momento era Jesus que estava indo preparar morada para Maria. Parece até que Jesus estava cumprindo o que diz no texto de Provérbios 23:22, “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer”. É nesse momento da velhice que a cuidadora trona-se cuidada. E é nos braços de Jesus que Maria encontraria abrigo.
Datas como o dia das mães, sevem para refletirmos sobre o valor daqueles que nos cercam. Serve para reconhecermos sua dedicação e cuidado, não deixando de levar em consideração o amor e a doação que fazem de si mesmos em nosso favor.
A personagem de Maria, nesta noite, nos deu uma idéia do que passa no coração de uma mãe. É claro que este coração também se alegra na alegria do filho. Também comemora quando o filho comemora. Se sente vitoriosa quando o filho vence.
Ela ama só por ser mãe e isso é incondicional.
E hoje não poderia fazer outra coisa além de dizer: Parabéns pelo dia das mães!
E terminarei com uma poesia que também é uma oração: Obrigado , Senhor , pela mãe que você me deu ...
(mensagem apresentada no dias das mães de 2008 na Igreja Batista Betel e em 2009 na 1ª Igreja Evangélica Batista em Ferreiros) April 29 APRENDENDO A DISTINGUIR A VOZ DE DEUS
APRENDENDO A DISTINGUIR A VOZ DE DEUS *Pr. Edivaldo Rocha
“O jovem Samuel servia ao Senhor, perante Eli. Naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes. Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli, cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não poder ver, e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse, o Senhor chamou o menino: Samuel, Samuel! Este respondeu: Eis-me aqui! Correu a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei; torna a deitar-te. Ele se foi e se deitou. Tornou o Senhor a chamar: Samuel! Este se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. Porém Samuel ainda não conhecia o Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor. O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel, terceira vez, e ele se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Então, entendeu Eli que era o Senhor quem chamava o jovem. Por isso, Eli disse a Samuel: Vai deitar-te; se alguém te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. E foi Samuel para o seu lugar e se deitou. Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:1-10).
Samuel foi consagrado ao Senhor antes mesmo de existir no ventre de sua mãe. As orações que Ana oferecia na Casa do Senhor sensibilizaram o coração de Deus. O pedido dela foi de uma devoção sem tamanho: se Deus concedesse-lhe a dádiva de ser mãe, seu filho seria entregue ao Senhor para servi-lo enquanto ele vivesse. Deus a agraciou com a maternidade e Ana não deixou de cumpri o seu voto. Samuel foi criado aos cuidados do sacerdote Eli. Samuel desde cedo foi aprendendo a servir na casa de Deus. Eli lhe ensinou os ofícios sagrados e o responsabilizou pela portaria da Casa do Senhor. Tal função era de grande responsabilidade, pois ele era como um fiscal que impedia a entrada de coisas impuras no santuário. Eli criou Samuel melhor até que seus filhos, ou no mínimo deu a mesma criação, mas Samuel a assimilou de maneira mais digna, diferentemente dos filhos de Eli. Porque alguns pais fazem o que devem fazer corretamente, porém nem sempre os filhos aprendem como deveria. Samuel foi respeitado como juiz e profeta de Deus em Israel por toda a sua vida, porém um fator foi decisivo para que isso acontecesse. Samuel teve de aprender a ouvir e distinguir a voz de Deus das vozes dos homens. Samuel desde muito cedo aprendeu a servir na casa do Senhor, mas ainda não distinguia a voz do Senhor falando-lhe. Nessa passagem vimos que Deus vem a Samuel por três vezes e este pensa ser Eli que lhe chamava, porque não conhecia ainda a voz do Senhor. Quando Eli percebe que é o próprio Deus que estava vindo ao encontro do pequeno Samuel, lhe oferece talvez a mais preciosa lição que Samuel aprendeu em toda a sua vida: a de como dar ouvidos a voz do Senhor Deus. No verso nove, Eli disse a Samuel que voltasse a se deitar e se ouvisse alguém chamar respondesse: “Fala, Senhor porque o teu servo ouve”. Essa frase marcou o início de algo na vida de Samuel imprescindível a todo crente. A intimidade com Deus. Quando Deus vem ao encontro de Samuel foi para estabelecer com ele um relacionamento intimo, próximo, onde Samuel ouviria claramente a voz do Senhor.A única coisa que o pequeno Samuel precisava aprender era dar ouvidos à voz que vinha da boca de Deus. Desde criança aquele pequeno rapaz aprendeu a trabalhar na Casa do Senhor, mas uma coisa importante não lhe fora ensinado, porque talvez tivesse passado batido até aquele momento, que era ouvir a voz do Senhor Deus. Isso nos chama a atenção para dois fatos na igreja. Primeiro, será que as novas gerações estão aprendendo a ouvir e distinguir a voz de Deus, ou apenas estão sendo acostumadas a fazer “alguma atividade” dentro do Santuário? A Bíblia nos diz, “ensina o teu filho no caminho em que deve andar” (Pv 22:6). Parte desse ensino deve conter essa capacidade de ouvir a voz do Senhor. Algumas vezes nos desapercebemos desse fato e nos concentramos unicamente nas atividades. Essa evidência nos leva a uma pergunta, “como ensinar a se ouvir a voz do Senhor?” A resposta a essa pergunta é simples, devemos fazer isso com o nosso exemplo. Ou seja, precisamos demonstrar às novas gerações como nós nos aproximamos de Deus e como nos relacionamos com ele. Porém, essa resposta nos leva a outra pergunta e ao segundo fato que precisamos atentar na igreja. Como está o nosso relacionamento com Deus? Temos conseguido distinguir a voz de Deus das vozes dos homens para podermos ensinar a outros como fazê-lo? Quando foi a última vez que dissemos a Deus “fala, Senhor porque o teu servo (a) ouve”. Meus queridos leitores e irmãos, Deus nos convida para um relacionamento intimo com ele, para nos fazer entender que igreja é muito mais que atividades e eventos. Deus todos os dias chama por nossos nomes, você tem ouvido? Você está escutando ele chamar pelo teu nome agora? Então fecha os teus olhos onde você estiver e diga em oração, “fala, Senhor porque o teu servo (a) ouve”. (mensagem apresentada na Primeia Igreja Evangélica Batista em Ferreirtos em 29/04/09) April 18 COMO FICAR PARECIDO COM JESUS?COMO FICAR PARECIDO COM JESUS? *Pr. Edivaldo Rocha Na última quarta-feira falava sobre a árvore boa e a má e seus respectivos frutos. Diante dessa ilustração não há como deixarmos de perceber que uma pessoa só pode oferecer aquilo que tem, eu outras palavras “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34). Então, se uma pessoa tem a Jesus no coração, logo entenderemos que os frutos a serem oferecidos serão os melhores possíveis. Dentro dessa mesma linha de pensamento chamo a atenção de vocês para o texto de Filipenses 4:4-9 que nos diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco”. Uma das passagens mais conhecidas da carta aos filipenses é o hino descrito no capítulo 2:5-11, que tem como resumo a expressão: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (v.5). Trocando esse verso chave em miúdos, a Bíblia nos orienta a refletirmos como um espelho em nossas ações as ações que Jesus faria se estivesse em nosso lugar. Eu sei que muita gente repete por aí a frase “eu não sou Jesus” quando é pego em uma situação que não deveria. É verdade, ninguém aqui é Jesus, pois Jesus só houve um. Contudo, a cada dia precisamos tentar nos parecer com Ele para que sejamos reconhecidos como seus servos. No trecho bíblico que acabamos de ler o apóstolo Paulo nos oferece o exemplo de algumas ações que nos ajudarão a nos parecermos mais e mais com o nosso Mestre Jesus. I. Alegrai-vos sempre no Senhor: ao ler esse trecho me lembrei daquele corinho que fala “a alegria está no coração de quem já conhece a Jesus”. Só o fato de um dia termos recebido a Jesus em nossos corações nos dá “mil” motivos de nos alegrarmos. Sempre que recitamos aquele versículo do Salmo que diz “grandes coisas fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres”, reconhecemos que o cuidado que Deus em nossas vidas é também outro motivo para nos alegrarmos. Não quero nesta noite menosprezar os momentos difíceis que alguns de vocês possam estar passando, mas quero lembrá-los que quem escreveu esta carta aos filipenses estava preso; já havia sofrido em outras prisões anteriores a essa; depois de ter se convertido foi tido como criminoso; fora os inúmeros outros sofrimentos que passara por amor do evangelho. O apóstolo Paulo, mais que qualquer outra pessoa, poderia estar de mal com a vida, resmungando por onde passasse, mas no lugar disso ele disse enfaticamente e repetidamente recomenda, “alegrai-vos no Senhor; outra vez vos digo: alegrai-vos”. A alegria é uma característica própria do crente. II. Sejamos moderados: o que é ser moderado? O dicionário da língua portuguesa define moderação como “ato de conter-se; ter compostura; prudência”. Aplicando essa definição ao comportamento cristão, devemos entender que ser moderado é ser prudente em nossas ações a fim de não escandalizarmos as outras pessoas com nosso comportamento. Em outra ocasião Paulo disse à Igreja de Corinto, “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam” (1Co 10:23). Todos nós sabemos que o crente é observado em todo lugar: no trabalho; na escola; na vizinhança; na igreja; e até em casa. Diante disso temos que ter o cuidado de sermos comedidos em todos os lugares para que nossas ações não gerem escândalo, porque perto está a segunda vinda do Senhor. Uma forma de alcançarmos a moderação é evitar os impulsos que nos assolam e pensarmos antecipadamente nas consequências de nossas ações. III. Não andeis ansiosos, mas dediquem-se á pratica da oração: muitas coisas querem fugir ou fogem do nosso controle. Nem tudo acontece do jeito que queríamos ou planejamos e isso provoca certa ansiedade. Estar ansioso é estar preocupado além da conta. Não que devamos agir como a música do mundo fala, “deixa a vida me levar”. Pelo contrário, devemos estar atentos ao que vamos fazer e não abrir mão da capacidade de fazer escolhas. Por outro lado, a preocupação demasiada pode gerar a ansiedade, que em nossos dias é considerada uma doença emocional. O salmista nos dá uma lição para combatermos a ansiedade: “entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará”. Precisamos aprender a colocar nas mãos de Deus aquilo que não está ao nosso alcance. E como fazemos isso? Através da oração! Na carta aos Efésios 3:20-21 a Bíblia nos diz “ora, aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo sempre, amém”! Quem é esse que pode fazer infinitamente mais senão Deus? A prática da oração evita que fiquemos ansiosos conforme o verso 7 nos confirma, “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. Então, a receita é: orai sem cessar! E quando a preocupação quiser ganhar espaço na tua vida, ore mais ainda.
IV. Ocupe a vossa mente: é comum ouvirmos a expressão: “mente vazia é oficina do diabo”. E de fato, quando não ocupamos a nossa mente com as coisas de Deus, somos tentados a maquinar algo contra o nosso próximo. É por isso que nos ambientes de trabalho ou nas escolas as pessoas brigam feito cão e gato. São pessoas que não se concentram em suas atividades, muito menos em Deus e por isso passam o dia arrumando confusão por mínimas coisas. Quando alguém se abusa com essas pessoas geralmente dizem, “vá procurar o que fazer ou vá ocupar a sua mente com outra coisa e deixe de me aborrecer”. Esse é um problema antigo e por isso é que a Bíblia recomenda que ocupemos o nosso pensamento com alguma coisa, porém não qualquer coisa. Mas devemos ocupar a nossa mente com “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (v. 8) a fim de nos parecermos mais com aquele que nos salvou e nos separou para sua glória. Precisamos exercitar diariamente a capacidade de filtrarmos os nossos pensamentos para guardarmos em nossos corações somente aquilo que vem de Deus. Somente coisas boas devem ocupar espaço em nosso pensamento para que as nossas atitudes reflitam do que está cheio o nosso coração. Livremo-nos de todo e qualquer pensamento maldoso, rancor, mágoa para que nosso entendimento esteja sempre aberto para as maravilhas de Deus em nossas vidas e assim desfrutarmos da sua companhia constante conforme expresso no verso 11: “e o Deus da paz será convosco”. Amém! (mensagem apresentada na 1ª Igreja Evangélica Batista em Ferreiros em 19/04/09) March 21 Rm 5:1-5RESISTINDO O BOM COMBATE *Pr. Edivaldo Rocha
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5:1-5).
Estava pensando sobre esta passagem bíblica e como ela é importante em nossas vidas. O apóstolo Paulo introduz esse capítulo 5 da carta aos romanos lembrando uma promessa feita por nosso Senhor Jesus a todos aqueles que são justificados pela fé, ou seja, aqueles que um dia fizeram uma decisão ao lado de Cristo Jesus. A promessa em questão é aquela descrita em Jo 14:27: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Muitas pessoas pensam que a paz está unicamente relacionada com a guerra ou a ausência dela. Lembro de um lutador que repetia uma frase de outra pessoa que dizia o seguinte: se alguém deseja a paz, então esteja preparado para a guerra. Durante muito tempo essa frase fez parte da minha filosofia de vida, mas depois de um tempo eu percebi que a paz não é necessariamente a ausência de conflitos e tampouco será alcançada por eles, mas é ter segurança de espírito. Porque podemos passar pelas mais terríveis provações, porém, se mantemos a segurança de espírito não seremos abalados. Quando Jesus nos diz “a minha paz eu voz dou” é uma promessa de recebermos em nossas vidas um espírito forte capaz de resistir a qualquer situação. Estar em paz é também poder descansar nos braços de Deus. Isso é resultado da graça salvadora de Deus Pai, concedida pelo sangue derramado de Jesus. Essa graça dá ao crente duas coisas imprescindíveis: firmeza e esperança. Mais adiante, no texto bíblico, o apóstolo acrescenta que as tribulações na vida do crente produzem uma virtude chamada perseverança. O dicionário da língua portuguesa define perseverança como: persistir, ser constante e estar firme. O meu vocabulário próprio define perseverança com a qualidade de seguir em frente quando os outros tendem a parar no meio do caminho. Para mim isso é que é perseverança, é seguir em frente quando os outros tendem a parar. Tente lembrar qual foi a situação mais difícil que você passou. Creio que seu cérebro nesse instante produziu um flash na sua cabeça dessa situação e rapidamente você se lembrou dos momentos complicados, dos sentimentos que você sentiu, no que essa situação afetou sua família e seus relacionamentos, nos desgostos e decepções que teve dentre outras coisas. Agora me responda, se você tivesse que passar por essa situação ou uma parecida novamente, como você reagiria? Imagino que a sua resposta seria: ah! Agora o negocio seria diferente. Talvez tal situação nem acontecesse. Sabem por que vocês responderiam dessa maneira? Porque nesse assunto, ou situação vocês já obtiveram experiência. Então, se a mesma situação ou uma parecida ocorresse novamente na sua vida a sua experiência te faria reagir de maneira diferente onde não sofrerias os mesmos desgostos e dificuldades como da primeira vez. É esse o sentido que o apóstolo Paulo emprega quando diz que as tribulações produzem perseverança e dá aos que persevera experiência de vida. E outra coisa, à medida que ficamos experientes nas coisas da vida começamos a ter mais esperança. A esperança é uma qualidade que não podemos abrir mão dela, pois em algumas situações da vida ela é a única coisa que nos mantém de pé.Quem tem esperança não se confunde e resiste a qualquer momento que a vida impõem. Em dezembro de 1967, Martin Luther King convida a nação e prega o sermão Intitulado eu tenho um sonho. E num determinado trecho do sermão ele narrou que viu os seus sonhos transformarem-se em pesadelos ao contemplar o quadro de descriminação e violência que tinha se instalado no país. E com suas próprias palavras disse: “sim, eu (também) sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque, como vocês sabem, a gente não pode desistir da vida. Quando se perde a esperança, perde-se também aquela vitalidade que faz com que a vida continue, aquela coragem de existir e de prosseguir, apesar de tudo. Por isso, hoje em dia eu ainda tenho um sonho”. Quando nos enchemos da esperança que é encontrada em Cristo Jesus temos forças para seguirmos sempre em frente e razões para sonhar, para continuar acreditando que as coisas vão ser melhores que hoje. Por isso, caro Irmão, cara irmã (leitor e leitora) jamais permita que as circunstâncias da vida te faça perder as esperanças. Pelo contrário, tente aprender com tais circunstâncias e alcance um coração sábio que aprendeu que na vida nós precisamos seguir em frente apesar dos pesares. Lembre-se que tudo começou quando Cristo disse para você “a minha paz eu vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá”. Já aprendemos que essa paz que Deus nos dá garante uma segurança de espírito para que sempre estejamos firmes diante da vida, perseverando a cada dia e aprendendo com a vida que as nossas esperanças alicerçadas em Deus sempre nos manterão de pé. February 22 MENSAGEM PARA O CARNAVALA FESTA DAS ILUSÕES *Pr. Edivaldo Rocha
Nosso povo está comemorando do jeito que pode a data do carnaval. Nenhuma data comemorativa movimenta tanta gente quanto esta festa. No livro dos recordes, o Galo da Madrugada (Bloco carnavalesco do Recife) recebeu o título de festa que aglomera o maior ajuntamento de pessoas já visto. Na TV vemos em todos os lugares do estado movimentação de foliões em e verdadeiros cortejos atrás dos blocos e trios elétricos. Todos aparecem rindo, brincando, todos parecem ter muitos amigos, mas eu me pergunto: “o que ficará desta data depois que o ‘Galo’ for guardado para o próximo ano”? “O que ficará quando as fantasias forem guardadas no armário”? “O que ficará quando as ruas forem desobstruídas”? “O que ficará quando o frevo cessar; quando os cantores calarem a boca; quando os organizadores desarmarem os palcos; quando o carnaval terminar”? Ano após ano vejo pessoas após carnaval dizerem: “agora vou voltar para a minha vida normal”. Ou “agora vou voltar para o sofrimento que era minha vida normal”. Mas o que aconteceu com aqueles dias de festa? Mas o que acontecerá com esses dias de festa deste ano? Da mesma maneira dos anos anteriores acontecerá este ano, o carnaval vai passar e com ele a ilusão que provoca na vida das pessoas. Porque o carnaval é isso: é uma festa de ilusão. Nesses dias as pessoas criam a ilusão que são felizes. Que não tem com que se preocupar. Nesses dias a pessoas acreditam que a vida é uma festa. Mas depois da quarta-feira de cinzas percebem que tudo foi mera ilusão. É de entristecer ver as pessoas precisarem mudar a sua vida de um estado de infelicidade para um estado de gozo e não conseguirem. E para elas deve ser angustiante sentir que a festa do carnaval é passageira e que a vida delas vai ser a mesma depois da quarta-feira de cinzas. Contudo essa cena continuará a se repetir enquanto essas mesmas pessoas procurarem dar jeito na suas vidas da forma errada. A Bíblia nos mostra que se queremos investir em algo permanente devemos fazê-lo nas coisas certas e duradouras e não nas passageiras e ilusórias, senão vejamos. “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:19-21). Quem investe nas coisas passageiras dessa vida nunca terá nada permanente. Por outro lado, quem toma a decisão de investir nas coisas lá do alto jamais será surpreendido, pois um tesouro guardado nas mãos de Deus não pode ser furtado. Martin Luther King Júnior já disse certa vez, "Eu guardei muitas coisas em minhas mãos, e perdi todas; mas todas as que coloquei nas mãos de Deus, essas ainda possuo". Enquanto as pessoas continuarem correrem atrás dos blocos e trios tentando encontrar a alegria, elas jamais terão algo permanente. Porque as festas e investimentos que fazemos nas coisas que são deste mundo são mera ilusão. E quando são coisas concretas não são permanentes. Pois tudo nesta vida passa. Mas as conquistas que Deus nos garante em Cristo Jesus, essas sim, são permanente e não há tempo que as faça dissipar. Quando deixamos nossos investimentos nas mãos de Deus temos a certeza que nunca seremos surpreendidos, porque em Deus nós podemos confiar sem duvidar. Daqui a alguns dias as pessoas cairão em si que a “alegria do carnaval” passou junto com seu cortejo e que suas vidas continuam as mesmas. Nessas horas a igreja de Cristo precisa exercer um papel que transmita a misericórdia de Deus a essas vidas tão carentes do amor divino. A igreja precisa olhar com compaixão para essas pessoas que muitas vezes tateiam no escuro em busca de sentido para suas vidas. A igreja precisa mostrar que só em Deus, e em nenhum outro, há esperança e alegria permanentes; só em Deus nossos investimentos estarão seguros para todo sempre. (MENSAGEM APRESENTADA NO DIA 22/02/09 NA IGREJA BATISTA EM APIPUCOS) February 16 FILHOS DE DEUS DUAS VEZESFILHOS DE DEUS DUAS VEZES *Pr. Edivaldo Rocha
Esta noite falarei a vocês de um personagem bíblico que possuía características bem peculiares. O nome deste personagem era João Batista. De nascimento era só João, filho de Zacarias. Ele ficou conhecido como João Batista pela prática que exercia de batizar pessoas em sinal de arrependimento. Não era só um costume daquela época, apelidar as pessoas pelo ofício que exerciam. Ainda hoje temos essa prática. Senão vejamos alguns nomes conhecido de vocês: Geraldo do Queijo; Fulano do bode; beltrano do taxi; cicrano da farmácia e assim por diante. E da mesma maneira foi com João Batista. Ele primeiramente nasceu numa família de sacerdotes que serviam continuamente no templo. Comumente naquela época as crianças eram acostumadas a frequentarem os ambientes religiosos de seus pais. Como eles eram judeus de religião, João Batista fora criado naquele ambiente do templo. Contudo, como qualquer pessoa que cresce, é comum também ela tomar suas próprias decisões. Entre as muitas decisões que tomam, está a de permanecer ou não na religião de seus pais. João Batista não deixou de ser judeu, mas adotou um costume pouco típico para os judeus do seu tempo. Desde muito jovem ele se afastou do convívio social, preferindo viver isolado no deserto. Quando ele resolve voltar para o convívio social, a fim de realizar a missão que Deus confiou a ele, o povo se surpreendeu com a figura que representava. João Batista fazia suas roupas com pelo de camelo e sua alimentação consistia em comer gafanhotos com mel. Embora para nós possa parecer repugnante comer gafanhotos, dizem que é muito nutritivo. Enfim, quando ele aparece no centro da Judéia não há aquele que não olhe para ele. João Batista pregava para que as pessoas se arrependessem de seus maus caminhos e quem aceitava esse discurso era batizado por ele. No evangelho de João (não o Batista, mas agora o João evangelista, discípulo de Jesus) temos a seguinte narrativa acerca da atividade de João Batista: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo? Então, ele respondeu:Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. Ora, os que haviam sido enviados eram de entre os fariseus. E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis, o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias. Estas coisas se passaram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando” (Jo 1:19-28).
Como vimos nessa passagem bíblica, muitos pensavam que João Batista era o Messias prometido, muitos pensavam que ele era Jesus Cristo. Como ele negou ser Jesus o Cristo, perguntaram então se ele era uma reencarnação do profeta Elias. Ele respondeu dizendo também que não era Elias. Quando em fim fizeram a pergunta certa: quem é você? Ele respondeu que ele era a voz que clamava no deserto, aquele que abriria as portas para que entrasse o Salvador do mundo, Jesus Cristo. Entre todos os profetas de Israel, João Batista foi considerado o mais feliz e abençoado por ter sido o único profeta que viu pessoalmente a Jesus Cristo. João se referiu a Jesus como o Cordeiro de Deus, que tiraria o pecado do mundo. Para quem não sabe, naquela época havia o sacrifício de animais para se alcançar o perdão dos pecados. Todos os anos, no dia do perdão, os judeus vinham de onde estivessem para Jerusalém. Lá eles ofereciam no templo animais, ervas e cereal como sacrifícios a Deus para que Ele perdoasse os pecados daqueles que participavam da celebração. Quando João se refere a Jesus como o Cordeiro de Deus, ele vislumbrava o sacrifício que Jesus teria que fazer para conceder perdão para a humanidade. O sacrifício ocorreria no dia de sua crucificação. O sangue que Jesus derramou foi e é para que todos quantos aceitarem esse sacrifício possam ter o perdão dos seus pecados. No início do evangelho de João, o evangelista e discípulo de Jesus, temos a descrição de um Deus que estava no céu em uma só forma com seu filho Jesus Cristo, mas diante da situação humana de afastamento da sua pessoa, Deus decide enviar o seu filho para que o relacionamento que foi quebrado pelo pecado fosse restabelecido por meio de Jesus na cruz do calvário. Se alguém perguntasse que tipo de relacionamento Deus que manter conosco, eu diria que é um relacionamento de pai e filho, senão vejamos o que diz Jo 1:10-12. “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”.
Jesus veio para todos, mas o próprio texto nos mostra que nem todos entenderam isso. O sacrifício de Jesus nos concede o perdão de nossos pecados para que nos tornemos filhos de Deus, mediante o recebimento de Jesus como seu Senhor e Salvador. Porém, alguém hoje pode estar dizendo, “eu já sou um filho de Deus! Afinal não foi ele quem me fez”? Se por acaso alguém fez essa pergunta, eu só tenho a responder que é verdade, pois todos nós fomos criados por Deus. Lá no Gênesis 1:27 a Bíblia nos diz que “Deus fez o homem (ser humano) a sua imagem e semelhança”. Quanto a isso não há argumento; o homem é feitura de Deus; nós somos filhos de Deus por conta disso. Mas me permitam contar uma história que se encaixa nesse assunto. O menino e o barquinho Certa vez um homem que morava em um interior ensinou o seu filho a fazer uma jangada de madeira. Um barquinho para brincar no riacho. Ele ensinou o filho a cortar a madeira. Depois ensinou a dar os nós que prenderiam as madeiras umas as outras. Depois da pintura estava pronto o barquinho. Todos os dias o garoto brincava com o barquinho num riacho próximo de sua casa. Num determinado dia a correnteza do riacho estava mais forte que a de costume. Num momento de descuido do garoto o barquinho seguiu correnteza abaixo. O garoto correu atrás do barco, mas seu esforço foi em vão. E o barquinho foi levado pela correnteza. A tristeza tomou conta do garoto de modo que seu pai fez de tudo que podia para melhorar o humor do garoto: deu um galo, umas cabrinhas (coisa de quem mora no interior), e nada do menino se animar. Um dia o pai do garoto teve que ir à cidade para comprar algumas coisas. Depois das compras o pai levou o garoto a uma loja de coisas antigas. E para surpresa de todos, na vitrine da loja o menino viu o seu barquinho. —Pai olha meu barquinho! — O pai respondeu: “tem certeza?” — Sim! Veja o nó que o senhor me ensinou a fazer... Olha a marca que eu fiz na madeira... É o meu barquinho! O menino entrou na loja e disse à moça que estava no balcão: — Moça aquele é meu barquinho. A moça disse que não era possível aquele barquinho ser do menino, mas o menino insistiu e mostrou os detalhes que ele próprio tinha feito, então a moça disse que o barco poderia até ter sido dele, mas ela havia comprado e só sairia da loja vendido. O garoto olhou para o pai, porém o pai já estava sem dinheiro. Voltaram então para casa deixando o barquinho na loja. Ao chegar em casa o garoto pegou o galo, as cabras e os vendeu, guardando o dinheiro sem que ninguém soubesse. No mês seguinte seu pai lhe chama e diz que iria novamente à cidade para comprar algumas coisas e pergunta se o garoto queria ir com ele. Sem demora o garoto vai onde guardou o dinheiro e coloca no bolso. Chegando à cidade o menino pede ao pai para ir à loja do barquinho. Quando entra na loja vai ao balcão e diz à moça; — “Vim buscar meu barquinho!” — A moça responde “ele só sai daqui vendido”. — “Quanto é?” perguntou o garoto. — A moça do balcão responde que é “X”. O garoto tira o dinheiro do bolso e paga pelo barquinho. A moça pergunta se ele quer embrulhar, mas o garoto toma o barco da mão dela e abraça forte o barquinho e diz repetidamente, “você é meu duas vezes”. “você é meu duas vezes”. “você é meu duas vezes”. A moça da loja pergunta por que ele está dizendo que o barco é dele duas vezes?O garoto responde que o barquinho é dele duas vezes, porque uma vez ele fez e a outra vez, porque ele comprou. Do mesmo modo somos nós em relação a Deus. Somos filhos dele porque ele nos fez. Isso é inquestionável. Mas precisamos ser filhos de Deus duas vezes. Uma porque ele nos fez e outra porque ele nos comprou. Um dia as correntezas da vida nos levaram para longe dele. Essas correntezas de maneira súbita nos jogaram em um vale enlamaçado e escuro donde não conseguimos sair sozinhos.
Porém, um dia o filho de Deus, Jesus Cristo, veio a este mundo para nos mostrar a luz, para nos mostrar o caminho para fora desse vale escuro e nos dar vida. Jesus veio a este mundo para pagar o preço por nossas vidas. Esse preço foi pago lá na cruz do calvário. Jesus pagou o preço para que todos quanto o recebessem fossem feitos filhos de Deus. Filhos duas vezes: uma porque ele nos fez e outra, porque nos comprou com a sua própria vida na cruz do calvário. Ás vezes a vida se torna difícil e amarga. Não são poucos os problemas que temos que enfrentar e mal superamos um aparece outro ainda maior. Quantas vezes não olhamos para dentro de nossas próprias casas e dizemos “isso é uma família”? Saiba que a vida sempre nos apresentará dissabores, mas uma coisa é enfrentarmos esses dissabores sozinhos e outra é enfrentá-los sabendo que Deus está do nosso lado. É como um pai age em relação a seu filho: protegendo, zelando, guiando pelos melhores caminhos, se sacrificando para que você tenha o melhor. E o melhor que podemos garantir para nossas vidas é ter a certeza de passarmos a eternidade ao lado de Deus, mediante a pessoa de Jesus Cristo. Deixe Deus mudar a tua história!
Receba a Jesus e seja filho de Deus pela segunda vez; aceite o preço que foi pago! (MENSAGEM APRESENTADA NO CULTO DE LOUVOR DA UNIJOVEM EM FERREIROS NO DIA 14/02/09) February 07 MENSAGEM BÍBLICA: COMO VER DEUSCOMO VER DEUS *Pr. Edivaldo Rocha
“Conta-se que certo dia, viajava num desses transatlânticos que cruzam os mares, um homem cuja fama no navio era de ser um verdadeiro cristão. O capitão, homem incrédulo e de uma vida um tanto irregular, querendo divertir-se às custas do cristão, chamou aquele servo de Deus num dia de sol, com o horizonte límpido e lhe disse em tom de zombaria e escárnio: ‘veja aqui o meu potente binóculo. Tenho procurado de todos os meios ver se encontro Deus, mas depois de longos anos de pesquisas, perscrutando o horizonte, não o encontrei’. ‘Ora’- disse o cristão – “o seu binóculo é muito fraco, precisa de um com maior potência”! ‘Como’? – perguntou o capitão – ‘este é o mas potente que existe’. E o cristão respondeu: ‘não! Existe outro ainda mais potente’! ‘Qual’? Foi a pergunta do capitão. ‘Muito simples’! – respondeu o cristão – ‘bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Eis o binóculo potente para vê-lo. Possua esse poderoso instrumento, Senhor capitão’! Este abaixou os olhos e retirou-se calado, pois o seu coração não era puro” (EXTRÍDO DO CALENDÁRIO 2009 COM MEDITAÇÕES - LUZ E VIDA) .
Se perguntássemos pelas ruas da cidade: “quem quer ir para o céu para viver ao lado de Deus”? Creio que todas as respostas seriam afirmativas. Afinal de contas quem quer ir para o inferno? Muitas pessoas querem receber benefícios de Deus, mas não mantêm nenhum tipo de relacionamento com ele. Deus é muito procurado nos momentos difíceis da vida. Não importa a religião que essa pessoa pratique ou deixe de praticar, quando as coisas “apertam”, Deus é um ser que pode suprir as necessidades. Essa prática não é de todo ruim, pois algumas pessoas começam a desenvolver um relacionamento de amor com Deus, depois de passarem por momento de aflição. O sentimento de gratidão leva esta pessoa que passou por apuros a manter intimidade com o Criador. É mais ou menos o sentimento contido numa senhora que conheci em relação ao seu padrasto. Certo dia fiz uma visita a uma família moradora na área de atuação do posto de saúde em que trabalho. Ao chegar nessa casa percebi que havia um senhor bem idoso acamado já algum tempo. Notei também que tudo na casa “estava um brinco” de limpeza. O senhor, embora acamado era muito bem tratado por uma senhora que era responsável pela casa. Elogiei a cena que vi e perguntei à senhora que morava naquela casa: “a senhora é esposa deste senhor”? “Não”! Respondeu ela e continuou: “este senhor é meu padrasto. Eu cuido dele assim, porque este homem foi muito bom para minha mãe e minha família e o que eu faço por ele hoje é pouco pelo que ele foi em nossa família”. O sentimento de gratidão contido nas ações daquela mulher se assemelha ao sentimento vivido por alguém que teve uma resposta de Deus num dia de angústia. Por outro lado, quantas pessoas não passam por momentos difíceis sem saber que podem contar com Deus. Outras até sabem que podem contar com Deus, mas não o fazem por achar que Deus não a atenderia, porque ela só está buscando no momento de dor. Pessoas assim têm um sentimento de culpa por não terem buscado a Deus em outras ocasiões. Essas pessoas também desconhecem que nunca é tarde demais para buscar a Deus, mas uma coisa é necessária. Nesse sentido o profeta Jeremias diz que para buscarmos a Deus, precisamos fazer de maneira especial, senão vejamos o que diz Jr 29:13 “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” Muitas pessoas tentam encontrar a Deus no caminho de Juazeiro; no caminho de São Severino do Ramo; outras vão para Israel, Meca; alguns vão também para San Tiago de Compostela; enfim gastam seus recursos e suas energias em peregrinações em busca de Deus. Mas será que encontram? O capitão do navio queria encontrar a Deus com um binóculo. Não são poucos que compram também amuletos, livros de rituais e usam vários outros artifícios, mas não o buscam de todo o coração. O “buscar de todo o coração” implica também numa purificação do mesmo. Ainda no capítulo 29 do Livro do profeta Jeremias, a Bíblia nos descreve que o povo passaria setenta anos no cativeiro. Esse tempo serviria de ensinamento para que o povo compreendesse que para se colocar diante de Deus é preciso santidade de vida; para ser chamado povo eleito é preciso também ser santo. Então o período do cativeiro babilônico serviria para Israel como purificação espiritual. Entendendo isto fica claro entender também o que Jesus disse quando se sentou no monte para ensinar as pessoas e disse: “bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus (Mt :8)”. Só corações puros conseguirão vislumbrar a glória de Deus revelada aos homens. Mas o que fazer para ter um coração puro? Este verso de Mt 5:8 deixa claro que sem pureza de coração é impossível ver a Deus. Essa pureza começa em nosso íntimo e se manifesta em nossas ações e palavras. Essa pureza é alcançada através de Jesus Cristo, pois o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1Jo 1:7). Deus fez o homem com o coração puro, mas o pecado comprometeu essa pureza e consequentemente nos afastou de Deus. Deus por sua vez entregou o seu filho para que morresse na cruz do calvário. Essa morte serviu para que nossos pecados fossem perdoados através de seu sangue. E hoje quem recebe a Jesus com seu Senhor e Salvador tem os seus pecados perdoados. Jesus quando entra na vida de uma pessoa, lhe purifica de toda a culpa e nós, agora, de corações limpos podemos enxergar pelos olhos da fé esse tão grande e maravilhoso Deus. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. Quer sentir a presença de Deus hoje em tua vida? Quer que ele derrame a sua graça salvadora hoje sobre você? Quer trazer sentido à sua existência? Então, purifique o seu coração no sangue de Jesus, receba-o como seu Salvador, deixe que ele te purifique e com certeza contemplarás a face de Deus. Porque os puros de coração verão a Deus. (mensagem apresentada na Igreja Evangélica Batista em Ferreiros em 08/02/09) January 27 O ÚLTIMO SERMÃO: POR THOMAS WATSONSempre apreciei a leitura de sermões escritos. Acredito que quando a inspiração dada por Deus ganha o formato da letra no papel somos abençoados por vários séculos. Em minhas olhadelas na internet encontrei no blog da Ana Paula Valadão o sermão intitulado “O último sermão”. Abaixo transcrevo, como lá está, o breve contexto de sua composição e o sermão na integra. Embora tenha sido escrito em no século XVII, sua mensagem é bem atual e altamente desafiadora em meio ao século XXI.
Tenha uma boa leitura e que Deus te abençoe! *Pr. Edivaldo Rocha
O Último Sermão Em 24 de agosto de 1662, dois mil ministros puritanos do evangelho foram excluídos de seus púlpitos, tendo recebido a ordem de não mais pregarem em público. O Ato de Uniformidade, baixado pelo parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como a Grande Ejeção, pairava por sobre a Inglaterra como uma nuvem espessa. Muitos líderes eclesiásticos da Igreja Anglicana, a religião oficial, estavam forçando os puritanos a cessarem suas prédicas ou a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei. Muitos ministros preferiam o silêncio à transigência. Com olhos marejados de lágrimas, milhares de cristãos humildes ouviram seu último sermão no domingo imediatamente anterior à data em que o Ato se tornaria lei. E, naquele último domingo de liberdade, os ministros puritanos provavelmente pregaram os seus melhores sermões. O sermão que passamos a transcrever, de modo um tanto abreviado, foi pregado por Thomas Watson a seu pequeno rebanho. ———— ——— ——— ——— ——— ——— - Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para vossas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vós, para as quais desejo a mais especial atenção: 1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem “separado” (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicia o dia com Deus, visita-O pela manhã, antes de fazeres qualquer outra coisa. Lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as tuas manchas e um lavatório onde podes branquear essas máculas. Adentra ao céu diariamente, em oração. 2) Coleciona bons livros em casa. Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te. Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração. 3) Tem cuidado com as más companhias. Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que “se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras” (Sl 106.35). As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias! 4) Cuidado com o que ouves. Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, aconselhou-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é mister um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo. 5) Segue a sinceridade. Sê o que pareces ser. Não sejas como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhes para o céu, com tua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas. Não finjas ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que amas o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade. Que teu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6). 6) Nunca te esqueças da prática do auto-exame. Estabelece um tribunal em tua própria alma. Tem receio tanto de uma santidade mascarada quanto de ires para um céu pintado. Julgas-te bom porque outros assim pensam de ti? Permite que a Palavra seja um ímã com o qual provarás o teu coração. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. “De noite indago o meu íntimo”, disse o salmista (Sl 77.6). 7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual. O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias deves montar guarda e vigiar. Se dormires, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas. 8 ) O povo de Deus deve reunir-se com freqüência. As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros” (Ml 3.16). Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade. Medram melhor na piedade quando crescem juntos. 9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo. “Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento. 10) Consola-te com as promessas de Deus. As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe que vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição. 11) Não sejas ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento. Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”, também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade. Paulo observou: “Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts 3.11-12). 12) Ajunta a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo. O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século… justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade. Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus. 13) Em teu andar perante os outros, une a inocência à prudência. “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza. Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem. 14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos. Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete. 15) Foge da idolatria. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições. 16) Não desprezes a piedade por estar sendo ela perseguida. Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la. 17) Não dá valor ao pecado por estar atualmente na moda. Não julga o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11). 18) No que diz respeito à vida cristã, serve a Deus com todas as tuas forças. Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11). 19) Faze aos outros todo o bem que puderes, enquanto tiveres vida. Labuta por ser útil às almas de teus semelhantes e por suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem. Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima. 20) Medita todos os dias sobre a eternidade. Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas - haveremos de embarcar através do oceano da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna. A cada dia, passa algum tempo a refletir a respeito da eternidade. Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade. Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória. Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo. Thomas Watson (disponível em < http://blogdaana.wordpress.com/2008/04/01/recomendacoes-para-se-viver-bem/>) January 20 BRINCANDO DE DEUSBRINCANDO DE DEUS *Pr. Edivaldo Rocha A religião cristã e algumas outras não-cristãs atribuem a Deus a autoria da criação do universo e de tudo que nele há. A Bíblia nos mostra que no princípio Deus criou os céus e a terra. A doutrina clássica dessa idéia de Deus como criador aponta que Deus é o criador e ordenador da matéria. Isso é o mesmo que dizer que Deus é o que é antes de qualquer coisa existir. É claro que isso não é nenhuma novidade para quem crer na Bíblia, contudo destaquei essa doutrina criacionista para mencionar um artigo que li esses dias intitulado Brincando de Deus (disponível < http://www.diariodepernambuco.com.br/hotsite/lhc/aparticuladedeus.html>) que descreve alguns poucos detalhes dessa nova experiência científica com aceleração de partículas. A idéia é a de tentar criar a matéria a partir do nada para se igualar a Deus. Os cientistas dizem que há no universo uma poeira cósmica que dá origem a todas as coisas: pedras, céu, mar, estrelas, galáxias, enfim essa poeira dá origem a tudo que existe. Porém eles ainda não descobriram a partícula que une toda essa poeira. Essa partícula, segundo esses pesquisadores, é uma espécie de cola que junta a poeira cósmica formando a matéria. Apelidaram essa partícula especial de a partícula de Deus. É como se até hoje só Deus tivesse ou conhecesse esse elemento que é capaz do nada formar a matéria. Desde setembro de1954 (data de construção do complexo científico de pesquisas em Genebra) se gasta fortunas incalculáveis para tentar descobrir a partícula de Deus. Depois que li esse artigo fiquei me perguntando, o que acontecerá com o ser humano se um dia descobrisse realmente como formar a matéria, ou seja, se ele descobrisse o que é e como usar o que os cientistas chamam de a partícula de Deus. Os artigos que tratam desse assunto alegam que eles querem descobrir os segredos da origem do universo. Mas será que é só isso mesmo? Imagino que no fundo de seus pensamentos a única intenção é provar que tudo que há é obra do acaso e não de Deus. O que muitos cientistas querem é tirar de Deus a autoria da criação do universo e no lugar disso colocar os seus nomes como os desvendadores do segredo da origem de todas as coisas. Em outras palavras, o homem quer tomar o lugar de Deus. Não é de hoje que o homem tenta tomar o lugar de Deus ou se igualar a ele. A história da humanidade nos mostra que vários reis, imperadores, faraós se auto-intitularam de deuses. A Bíblia também descreve alguns desses fatos e nos mostra duas ocasiões em que o homem tentou se igualar a Deus. Ø CONHECER O QUE DEUS CONHECE “Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3:1-5). A primeira tentativa do homem se igualar a Deus aconteceu no jardim do Edém. A serpente despertou a cobiça no ser humano para que ele fosse igual a Deus, conhecedor do bem e do mal. Na realidade o homem e a mulher no jardim já conheciam o bem, pois eles conheciam a Deus que é a fonte de todo bem. O que a desobediência fez, foi torná-los conhecedores e do mal. As consequências disso foram sofrimento e morte para a humanidade. Adão e Eva certo tempo depois tiveram que presenciar a corrupção de um de seus filhos e o assassinato do outro. E pensar que tudo isso começou com a desobediência e a cobiça de ser igual a Deus. Quem imaginaria que toda a humanidade pagaria porque alguns poucos seres tentaram se igualar a Deus? Foi isso que aconteceu. Ø TER A GLÓRIA QUE DEUS TEM “Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra. Então, desceu o Senhor para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” (Gn 11:1-6).
A outra ocasião em que o ser humano tentou ser igual a Deus foi no evento intitulado na Bíblia como a Torre de Babel. A pretensão do homem de se tornar célebre descreve a sua ambição. Em algumas bíblias a tradução é “façamos um nome” (RC), na NTLH traduz para que “ficaremos famosos”, mas a palavra que em português se traduziu por “célebre” e essas outras aplicações no original (r’osho) significa primeiramente “o mais elevado”, “o melhor”, “o maior”, “o principal”. Em suma, quando entendemos o que a palavra significa no original podemos compreender que eles queriam ter um nome que fosse acima, maior, mais elevado que qualquer outro nome. Eles queriam ter um nome maior que o de Deus. Somente um ser teve o direito de ter um nome cima de todo nome e este ser é o próprio filho de Deus. “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fl 2:9-11). O texto da carta aos Filipenses 2:5-11 descreve que Jesus sendo Deus preferiu ser homem para levar a humanidade a Deus. Mas dos tempos remotos até momentos atuais homem presunçosos se levantam para tentar tomar o lugar de Deus. Eu me pergunto o que um homem tem a oferecer a outro homem? Ele por acaso pode perdoar pecados? Ele por acaso pode salvar a alma? Ele pode dar a vida eterna? Não!!! É claro que quem quer tomar o lugar de Deus vai desconsiderar tudo isso e induzir outros a fazerem o mesmo. Até o evento da Torre de Babel os seres humanos eram todos iguais e falavam o mesmo idioma. Porém, depois dali as diferenças começaram. E até hoje a maioria das guerras acontecem, porque o ser humano não consegue respeitar as diferenças dos outros. E quando começou as diferenças? Quando o homem tentou se igualar a Deus. Por mais que a ciência avance, por mais que as maravilhas farmacológicas possam falsamente tentar acrescentar mais anos de vida ao ser humano, por mais que digam o contrário à nossa fé, Deus é Deus ontem, hoje e será eternamente e não há como se igualar a ele. Enquanto tudo isso acontece mais e mais pessoas se iludem com esses fatos. Nas escolas jovens ficam eufóricos com os comentários de professores descrédulos que tentam invalidar as doutrinas cristãs; os leitores de jornais, revistas e os que fazem pesquisas na internet também recebem tais teorias e não as filtram e fazem delas alicerces nos quais querem apoiar suas vidas. O perigo não tomar conhecimento das informações, mas é não examiná-las devidamente e depois reter só o que é bom. Às vezes deliberadamente e outras vezes por falta de uma direção as pessoas estão caminhando para mais distante de Deus. A igreja de Cristo aqui na terra não pode cruzar os braços, pois fomos colocados como profetas e sacerdotes para um mundo que anda em trevas. A função profética da igreja deve ser a de confrontar as pessoas com a Palavra de Deus. Confrontá-las não é necessariamente agredi-las, mas propiciar que seus pontos de vista sejam contrapostos aos pontos de vista de Deus na sua Palavra. No que se refere à função sacerdotal da igreja, precisamos promover encontros de reconciliação da criatura com seu Criador. Este deve ser o nosso compromisso: levar a mensagem de Deus a toda criatura. Não importa as circunstâncias, nem que todo o resto da sociedade professe o contrário, a função da igreja é levar a Palavra de Deus aos corações que não sabem o caminho de se achegar a Deus. Façamos isso a tempo e fora de tempo como nos orienta o apóstolo Paulo, pois está próxima a vinda do nosso Senhor. (Mensagem apresentada Na Igreja Evangélica Batista em Ferreiros em 11/01/09) December 31 MENSAGEM DE FIM DE ANOAVALIANDO 2008 *Pr. Edivaldo Rocha
Estamos nos últimos momentos de 2008. É hora de avaliar para projetar 2009. A pergunta desta noite é a seguinte: como foi 2008 para você? Foi um ano de bons acontecimentos ou foi um ano onde varias notícias desagradáveis surgiram? É verdade que nem sempre temos as conquistas que esperávamos ter no fim do ano anterior, mas uma coisa é certa, não importa se tivemos bons ou maus momentos, sempre o Senhor esteve ao nosso lado. Isso me faz lembrar de uma história dramática de um campo de concentração nazista onde os soldados alemães tentavam matar na forca um garoto judeu obrigando vários outros judeus assistir. Dizem que a resistência de uma criança é muito diferente de um adulto num castigo como este. Tentaram várias vezes enforcar o garoto. E a cada vez que chutavam o caixote que o apoiava e a criança não morria os soldados se divertiam com a situação e faziam com que o garoto subisse mais uma vez e repetiam a cena. No meio dos judeus que assistiam impotentes o que acontecia um deles questionava onde estava Deus naquela hora? Ao que responde um rabino que também se encontrava no meio deles: “Deus está ali sofrendo com aquele garoto na corda”. Nos piores e mais difíceis momentos da vida Deus permanece do nosso lado e algo que nos enche de esperança são as palavras do sábio salmista que disse “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer” (Sl 30:5). O salmista tinha a plena certeza que com o passar dos dias as coisas melhorariam ou pelo menos as encararíamos com uma nova perspectiva menos dolorosa. Nesse sentido permitam-me contar algo que aconteceu na minha infância. “Num determinado dia me deparei com Samuel. Na época ele era um adolescente, enquanto eu era só uma criança. Samuel nunca foi bonito, pelo contrário, sua falta de beleza destacava ainda mais sua fisionomia mal encarada e alguns distúrbios psíquicos ainda o deixavam mais amedrontador. Nesse dia Samuel foi atingido por algum objeto que não me lembro ter sido arremessado por mim, mas, Samuel tinha a plena certeza que tinha sido eu. Ele então olha pra mim com uma raiva sem tamanho e grita: ‘eu vou matar você’! E eu, muito valente que era, fugi correndo para minha casa. Nunca tive tanto medo na vida como naquele dia. subi a ladeira da minha casa “mais rápido que uma bala”. Pedi apressadamente aos meus visinhos que se visse alguém perguntar por mim, dissessem que não tinham me visto. Consegui escapara do furioso Samuel. Escondi-me por muitos dias dele. Os anos se passaram e vejo Samuel quase todos os dias. Ele não ficou mais bonito, porém, não me causa mais medo e falo comigo mesmo sempre que o vejo: ‘olha de quem eu morria de medo’. Samuel não me causava mais medo. Esse episódio me faz refletir sobre os anos que se passam. Muitas vezes as situações, ou as pessoas, como Samuel não mudam, contudo o que muda é o nosso ponto de vista em relação a alguns momentos de nossa vida. Tente lembrar na sua história alguma situação que na época te causava aflição ou parecia sem solução. Depois do fato ocorrido e o tempo ter passado como você se sente a esta fase da sua vida? Não parece tão pesada agora não é? Parafraseando o salmista podemos dizer que o choro pode durar um 2008, mas a alegria virá ao amanhecer de 2009. Pois tudo passa nessa vida, até os dissabores. 2008 não foi só dissabores. Muitas alegrias e conquistas também aconteceram. E por isso podemos dizer: “grandes coisa fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres” (Sl 126:3). Resgatar nesta noite a lembrança das grandes maravilhas que Deus operou em nossas vidas nos enche de profunda alegria. Porque é mais uma prova do amor e bondade de Deus em nossas vidas. 365 dias se passaram e deles ficam esta certeza “os que habitam a sombra do altíssimo estarão seguros”.
Daqui a alguns instantes daremos início a um novo ano e com ele novos projetos, novas metas, novos desafios e novas oportunidades. Dizia domingo passado na Igreja Batista em Apipucos que os dias que se passam nos dão experiências valiosas para podermos esquadrinhar melhor o nosso futuro, independente de como foram os dias que se passaram. O que não podemos é adentrar em 2009 desprovidos de projetos, metas e desafios, pois cada manhã nos traz também consideráveis oportunidades. Sei que cada um (aqui) tem planos para o próximo ano, tanto na área secular como na área devocional. Seja como for temos a certeza que sempre teremos Deus do nosso lado, porque foi esta a promessa feita por Jesus ao seu povo “estarei convosco até a confirmação dos séculos”. E nisso nós podemos confiar. Conversei certa vez com um jovem estava farrapando com o compromisso que tinha com sua igreja. Ele alegava que estava deixando de vir à igreja para estudar, se capacitar para a concorrência do mundo e do mercado de trabalho. Eu disse a ele que a concorrência do mercado de trabalho é realmente desleal, mas uma coisa era ter toda a capacitação possível e encarar sozinho a concorrência do mercado de trabalho. Outra coisa é ter o Senhor ao nosso lado para enfrentar esses desafios. Diante dessa observação o jovem não teve mais o que argumentar. A maneira mais segura de encararmos novos projetos, metas, e desafios é estando diante da presença do Grande e Soberano Deus. Daqui a alguns instantes estaremos desejando coisas boas àqueles a quem amamos. Aproveitando esta oportunidade quero desejar algo a vocês para 2009. Não com minhas palavras, tomarei emprestado algumas frases do escritor Vitor Hugo no seu texto Intitulado : “Desejo” Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado. E se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde magoa. Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos; Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro. Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros. Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor. Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo ainda que você afague um gato, alimente um pássaro e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore. Desejo igualmente, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas se morrer, que você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar. E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar. A não ser, permitam-me acrescentar, que o Senhor te abençoe e te guarde; que ele faça o seu rosto resplandecer sobre ti e tenha misericórdia de ti; que o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te de um feliz 2009 em paz (acréscimos meus). Feliz 2009!!! December 28 MENSAGEM DE FIM DE ANODESPOJOS DE 2008 *Pr. Edivaldo Rocha
Estamos nos últimos dias de 2008. Para muitos é apenas um período do ano em que alguns feriados imprensam os dias úteis; para outros é o momento de se comprar roupas novas, reformar a casa; são dias de amigos secretos; de confraternizações; de festas; de muita comida e muita bebida. 2008 está terminando e esses dias que antecedem o fim do ano passam tão rápido que não importa se somos funcionários de empresas, autônomos, empresários ou donas de casa, geralmente não conseguimos parar para refletir o que levaremos deste ano para o próximo. Sei que muitos vão dizer que vão levar as dividas do cartão de crédito, do carnê da loja ou do empréstimo que fizeram. É certo que essas heranças de 2008 cobram muito de nossa atenção e dão aos cabelos que não caíram o tom esbranquiçado. Mas fora as dividas que sempre estarão conosco, o que mais levaremos deste ano para o próximo? Quais dos relacionamentos deste ano estarão vivos no ano que entra? Será que crescemos enquanto pessoas no decorrer deste ano? Crescemos profissionalmente? Será que fizemos algo marcante ao longo dos 365 dias de 2008 que vale a pena ser lembrado em 2009? Colecionamos mais alegrias ou mais tristezas? Vitórias ou derrotas? Agimos ou ficamos parados no mesmo lugar, quem sabe regredimos? Do ponto de vista espiritual, houve melhoras em relação a 2007? Será que crescemos diante do Senhor ou foi mais um ano onde melhoramos apenas a nossa capacidade de arrumar desculpas? Se a esta altura do ano não tivemos tempo ou não lembramos de refletir sobre estas perguntas é bom pararmos um pouco no corre-corre da vida para avaliar o que 2008 foi para nós, caso contrário podemos não nos sair bem em 2009. Pois quem não avalia a sua própria história está fadado ao mais trágico fracasso. Por um tempo o povo de Israel experimentou o fracasso. Plantavam e não colhiam na proporção que plantavam; comiam, mas não saciavam a fome; bebiam, mas ainda permaneciam com sede; se vestiam, mas o frio não passava; trabalhavam e não viam o fruto do seu trabalho. São nessas horas da vida que de uma maneira ou de outra percebemos que tem algo de errado. Saber que tem algo de errado não é o mesmo que identificar o que está errado. A visão de alguém de fora às vezes nos ajuda a perceber o que está fora do comum. Nessa hora o profeta Ageu se levanta como um porta voz de Deus para dizer ao povo que tais coisas aconteciam, porque eles estavam deixando as coisas do Senhor em segundo plano. As observações e as analogias que Ageu faz e usa deixam claro o que possivelmente pudesse passar despercebido: “Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado” (Ag 1:6). Naquela época tinha gente morrendo de trabalhar, mas o que ganhava mal dava para se alimentar. Tinha gente chegando à beira da exaustão nas plantações, mas as plantas não geravam o esperado. Israel nunca foi um povo preguiçoso, pelo contrário, trabalho árduo sempre foi uma de suas marcas, contudo, algo estava errado. O profeta Ageu no verso anterior (v. 5) e posterior (v.7) ao que lemos repete a mesma expressão: “Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado” (v.5); e “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado” (v.7). O povo acabara de voltar do cativeiro. Comeu o pão que Nabuconozor amassou. Mesmo assim Israel não lembrava mais o que os fez serem levados cativos à Babilônia. Eles esqueceram que quando desprezaram a aliança que o Senhor Deus fez, eles ficaram por conta da sorte. Mas a sorte não estava do lado deles. Esta semana li numa revista evangélica uma frase que se emprega bem a essa situação: “o mundo só aprende levando surras colossais”. Infelizmente nem com essas surras colossais Israel aprendeu a lição, ou se aprendeu não lembrava mais dela. Uma das características mais marcantes do nosso Deus é a sua infinita misericórdia. E foi movido de intensa compaixão que Deus convoca Ageu para dizer ao povo “considerai o vosso passado”. Em outras palavras o profeta está chamando o povo para aprender com sua própria história. Está chamando o povo para melhorar os acertos e aprender com os erros e nunca, sob hipótese alguma, desprezar o que a vida lhes proporcionou. Porque tudo que passamos nesta vida é um aprendizado e tolo é o que não atenta para isso. Talvez 2008 não foi do modo que queríamos, mas nem por isso ele deixou de nos ensinar. E Deus nos chama à reflexão; nos convida a considerar o nosso passado para esquadrinharmos bem o nosso futuro. Daqui a alguns dias chegaremos ao final de 2009, pois o tempo voa! Poderemos nesse dia olhar para os 365 das de 2009 e concluirmos que foi um ano de verdadeiras e permanentes realizações? Tudo dependerá de como sairemos de 2008. Se sairmos deste ano levando como despojos o retrato de um “Israel” negligente, descompromissado, aquém das expectativas do Senhor nosso Deus, lamentaremos no fim de 2009. Por outro lado, se atentarmos para o que este ano foi para nós e o que fomos, o que fizemos e como nos comportamos em 2008 tomaremos, com certeza, decisões mais acertas daqui para frente. Não estou dizendo que só fizemos coisas erradas durante todo este ano, é claro que foi para muitos ou que sabe todos um ano de conqusitas. Todavia, como diz no ditado popular “quando acertardes ninguém te dará tapinhas nas costas, mas quando errares aparecerá aqueles que te apontem o dedo”. No entanto, ainda temos uma coisa a debater: que tipo de decisões tomaremos para que em 2009 nos saiamos melhor que neste ano? Há um livreto (Nosso andar diário. vol. 4) que está nas mãos de algumas pessoas da igreja que contém meditações diárias. Dei uma folheada rápida em algumas páginas e achei interessante a reflexão do dia 1° de janeiro que falava das 70 resoluções de Jonatha Edwards. Dentre algumas resoluções destacadas nessa reflexão transcrevo duas que tem a ver com a mensagem desta noite e do que precisamos entender para que 2009 seja melhor que 2008. Em uma dessas resoluções ele diz o seguinte: “Perguntarei a mim mesmo no final de cada dia, semana, mês, ano, se que fiz poderia ter sido feito melhor”. A outra resolução diz respeito à vida espiritual que ele queria ter a partir daquele dia: “Nunca farei algo de que teria medo de fazer na última hora da minha vida” Eis duas resoluções que todo crente deveria fazer em sua vida. Uma que o leva a não se conformar só com o realizar algo, mas a realizá-lo com excelência, dando o melhor de si. Existem pessoas que se conformam em oferecer o básico, o necessário, o trivial. Não importa em que área da vida, seja profissional, pessoal ou espiritual, essas pessoas não conseguem ou não acreditam que se derem o melhor de si serão recompensadas à altura. Martin Luther King dizia que “se um homem é chamado a ser um varredor de ruas, ele deve varrer ruas como Michelangelo pintou, ou como Beethoven compôs. Ele deve varrer ruas tão bem que todos os convidados do céu e da terra farão uma pausa para dizer: aqui viveu um grande varredor de ruas, um homem que fez o seu trabalho bem feito”. Até nos lembra a prescrição bíblica que nos diz: “tudo que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9:10). Precisamos aprender a oferecer o que temos de melhor ou realizar as coisas mais triviais da melhor maneira possível. Isso se chama viver em excelência. Faça melhor que você pode. Faça com gosto, faça bem feito, faça para que se lembrem de você. A outra resolução que todo crente precisa tomar diz respeito a avaliar as nossas ações. Achei muito adequado o juízo de valor utilizado para saber se uma decisão a ser tomada está certa ou não. Se tivéssemos medo de fazer algo na última hora de nossa vida talvez não fosse adequado fazer hora nenhuma da nossa existência. Além de viver em excelência Edwards queria viver em santidade. Por isso optou por não fazer nada que fosse ter medo de fazer caso estivesse na última hora de sua vida. As decisões que J. Edwards tomou podem parecer para alguns fanatismo ou no mínimo exagero. Mas se trata de viver com propósito. E nesse caso o propósito de agradar a pessoa de Deus e de dar o melhor de si tanto a Deus como aos outros. Que age resolutamente desta maneira, dificilmente chegará ao fina do ano lamentando pelo ano que teve, mas sentirá uma satisfação incontável e um sentimento de realização, não obstante ter crescido como pessoa e diante de Deus. É infantilidade e imprudência viver como canta a música “deixa a vida me levar”. O homem sábio e a mulher sábia projetam sua vida, tem coragem de tomar decisões acertadas mesmo que pareça pouco convencional fazer isto. Pessoas sábias consideram os seus dias e aprendem com eles para tomar melhores decisões amanhã. Que 2009 seja o ano das decisões sábias, porque soubestes considerar bem as ações e resultados de 2008. E que o nosso Deus seja primazia em nossas vidas, pois “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Amém!! |
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